A PASSAGEM MAIS BONITA DA BÍBLIA: O CORAÇÃO DE TODAS AS PROFECIAS.
A PASSAGEM MAIS BONITA DA BÍBLIA: O CORAÇÃO DE
TODAS AS PROFECIAS.
Jonas Dias de Souza[1]
Eu
ouvi isto de um Pastor da Assembleia de Deus. Pastor José Santana (na época) da
Assembleia de Deus da cidade de Santa Cruz de Minas em Minas Gerais. Para que
não sabe, é a menor cidade do Brasil em termos geográficos. Mas nem por isto
deixa de possuir os problemas de uma cidade normal.
Mas
a Assembleia de Deus está ali firme com sua liturgia bem elaborada e sua
doutrina, que é apologética, considerados os desvios vislumbrados nesta seara
evangélica (que é grande) e onde os obreiros continuam sendo poucos. Mas o que
isto tem a ver com a passagem mais bonita da Bíblia? Existe de fato uma
passagem que se destaca na Bíblia? Segundo o Pastor Santana, trata-se de Isaías
53.
Discorremos
então sobre Isaías 53 que é uma profecia messiânica, ou seja, ela trata do
Messias que viria como de fato meio, para nos justificar, nos salvar, para
carregar toda a nossa carga de pecado. Isaías 53 foi escrito cerca de
setecentos anos antes do nascimento de Cristo, mas foi escrito de tal forma que
parece o relato de uma testemunha da crucificação. Ao lermos a Epístola de
Pedro, percebemos que ele utiliza trechos de Isaías no lugar de relatos
testemunhais.
Vejamos:
“Porquanto
para isto mesmo fostes chamados, pois também que cristo sofreu em vosso lugar,
deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado,
nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele quando ultrajado, não revidava
com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que
julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos
pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas
chagas, fostes sarados. Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém,
vos convertestes ao Pastor e Bispo de vossa alma.” (1 Pedro 2.21-25) (ARA)
Cristo deve ser o nosso exemplo numa vida irrepreensível,
devemos evita a auto-defesa e a vingança. Esta auto-defesa é aquela feita pela
nossa língua quando sofremos um ultraje de nossos irmãos, devemos confiar na
soberania de Deus e em sua justiça. Ao mesmo tempo louvamos a Deus na pessoa de
Cristo de Jesus, pelo sofrimento substitutivo que resgatou a dívida a nós
atribuída, e reconhecemos sua soberania como Pastor e Bispo de nossas almas.
Outrora vagueávamos em nossas vãs futilidades, agora submetemo-nos ao Senhor
Deus que como Pastor reúne as suas ovelhas no aprisco.
Isaías
53 traz por oito vezes
a confirmação e a declaração do caráter vicário e
salvifico de Cristo, que o apóstolo Paulo resumiu tão bem ao falar do
Ministério da Reconciliação: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez
pecado por nós; para que nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios
5.21) Cristo foi o único embaixador do Pai.
Carregou nossa culpa e pecado no madeiro identificando-se conosco, sem,
contudo, pecar. O prêmio por acreditar Nele é a participação da justiça
perfeita de Deus.
Sabemos que existem atualmente várias traduções da
Bíblia no mercado literário, mas a beleza da passagem não se encontra (embora haja
preferências estilísticas) na forma como foi escrita ou traduzida. A beleza da
passagem está centralizada na mensagem que ela fornece ao mundo cerca de sete
séculos antes de acontecer, e ainda hoje, serve para nos guiar tal qual um
farol guia o navio próximo aos rochedos. Guia-nos em meio às intempéries da
vida trazendo a recordação em nossas mentes e almas que temos um porto seguro
para sair das procelosas ondas do mar revolto.
Israel
e sua cegueira é lembrado pelo profeta Isaías de forma interrogativa. Quem
creu? Quem acreditou na revelação? Devemos lembrar que Isaías é considerado o
“profeta evangélico”. Por apresentar no Antigo testamento uma completa e clara
exposição da Boa Nova de Jesus Cristo (Evangelho), podemos equiparar com a
Epístola aos Romanos escrita por São Paulo. Fora a sua comparação com a Bíblia
(Isaías tem 66 capítulos e a Bíblia Evangélica 66 livros) a Teologia bebe nesta
fonte rica que é considerada como um alicerce das doutrinas do período
pré-cristão. Isaías mostra que a
salvação seria estendida aos povos longínquos (gentios) da terra Israelita,
desde que abram os corações para a verdade. É condição sine qua non que
creiamos na verdade de Cristo para termos acesso ao tribunal justo de Deus.
Justiça que é ministrada com misericórdia para aqueles que são herdeiros com
Cristo. Judeus e Gentios farão parte de um rebanho único sendo transformados em
súditos exultantes do Reino Milenar que estabelecerá a Paz de Deus sobre toda a
terra.
O
que os olhos naturais não contemplam os espirituais enxergam maravilhados. A
aparência sofredora de Cristo, a sua humilhação, não ofereceu atração aos olhos
naturais. Mas a Fé permite a abertura dos olhos para a contemplação da
formosura que há no sofrimento perpassado na Cruz. A rejeição se deu por homens
cujos pecados, Ele (Cristo) estava expiando. A culpa e o pecado, pertenças
exclusivas do homem, e assumido por Cristo de forma voluntária. Cristo foi
humilhado e também se humilhou porque a vontade do Pai era a mesma vontade
dele. Não abre a boca por livre vontade colocada em sua paixão. A paixão de
cristo com o seu sofrimento em prol, em favor de toda a humanidade fazem
àqueles que crêem Povo de Deus.
Isaías
descreve a crucificação entre dois ladrões e a sua sepultura junto aos ricos
(cristo foi sepultado no túmulo de José de Arimatéia). Em palavras simples do ponto de vista
teológico um dos malfeitores nos dá um diagnóstico da mais profunda teologia
cristã. Cristo era inocente, quando nós deveríamos estar na cruz, e ao mesmo
tempo nos ensina que basta aceitá-lo.
REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 53 DE
ISAÍAS COM OUTROS LIVROS DA BÍBLIA.
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53.1
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Jo 12.38; Rm 10.16
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53.3
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Sl 22.6; Jo 1.1-11
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53.4
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Mt 8.17
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53.5
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Rm 4.25; 1 Co
15.3; 1 Pe 2.24
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53.6
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1 Pe 2.24-25
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53.7
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Mt 26.63; At 8.32; 1 Pe 2.23
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53.8
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At 8.32-33; Ap 5.6
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53.9
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1 Pe 2.22
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53.10
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Rm 6.9; 2 Co 5.21; 2 Ts 1.11; 1 Pe 2.24
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53.11
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Rm 5.18-19; 2
Pe 1.3; 1 Jo 2.1
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53.12
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Mc 15.28; Lc 22.37
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A
humanidade não esperava que Deus enviasse um servo humilde, pelo contrário,
esperava um majestoso rei, talvez um valente como Davi. Vemos que a ação de Deus bate de encontro ao
orgulho e à forma de pensar tão comum da humanidade. Ainda hoje temos tendência
a considerar que grandes pastores e pregadores são aqueles que se mostram
pavoneada em grandes congressos e grandes audiências. Escondidos nos rincões brasileiros estão
grandes homens de Deus que muitas vezes analfabetos são revestidos do poder
concedido pelo Espírito Santo para anunciar as Boas novas.
Ainda
hoje vemos “este homem de dores” sendo rejeitado, seu perdão é desconsiderado.
O que alegrar-se na cruz? É receber a Graça e a Luz que dela emana para sermos
santificados e assim podermos comparecer diante de Deus. A dificuldade de
entender esta passagem do ponto de vista teológico, reside na época em que ela
situa. O que temos aqui nesta passagem Bíblica é um descortinar do tempo
realizado por Deus, mostrando o futuro. Deus revelou o que aconteceria para
aquelas pessoas do tempo de Isaías.
Isaías
53, conforme afirmamos é o coração de todas as profecias. Nada há tão claro em
toda a Bíblia quanto esta passagem para descrever o servo sofredor. O que ser
sarado através das pisaduras? Somente aquele que encontrou o perdão através de
Jesus pode entender. Numa humanidade de consciências cauterizadas, a conversão
é a abertura para a compreensão de que não há necessidade de obras ou de
penitências para alcançarmos a Graça. O sofrimento já foi realizado na cruz e
desta cruz, Jesus rasgou o véu do templo para que nos aproximássemos de Deus
sem termos manchas em nossas vestes. Assim como a absolvição pela justiça
humana declara inocente o réu, somos declarados inocentes diante de Deus.
Ocorre que temos um tribunal de última instância. Não há necessidade de peregrinações
ou ficar correndo atrás de bençãos. O profeta
Isaías declara que a nossa justiça não passa de um trapo. Nós que sofríamos de
uma doença incurável e hereditária chamada pecado, fomos tratados pelo médico
que numa empatia indescritível “tomou sobre si as nossas enfermidades”. O
sofrimento propiciatório embora executado pelos homens foi ação de Deus. Os
executores humanos foram meros instrumentos de uma justiça divina. Quando Pedro discursou (por ocasião do
pentecostes) deu um esclarecimento a respeito da ação divina na crucificação. “Varões israelitas escutai estas palavras: A
Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e
sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós bem mesmo sabeis; a este
que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o
vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus
ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido
por ela.” (Atos 2.22-24) Todos os
acontecimentos narrados em Isaías 53, aconteceu sob a presciência de Deus.
Nenhum governo humano conseguiu frustrar seus planos. Para a igreja primitiva,
naquele momento, esta profecia deve com certeza ter vindo à mente em conforto
pela ação do Espírito Santo.
A
reação cultural de Israel para as pessoas em estado de sofrimento era de uma
rejeição natural, posto que atribuíssem ao estado de sofrimento um desagrado de
Deus (lembrem de Jó). Quantas vezes viramos o olhar das pessoas que sofrem numa
imitação da cultura Israelita. Diante desta profecia somos obrigados a rever as
formas de nosso pensamento, a desonra e o sofrimento recebe transformação em
honrarias e glórias.
Oremos
para que o Espírito Santo nos ilumine para entendermos com profundidade e
vermos a beleza existente não só nesta profecia, mas em toda a Bíblia. Somente
com a ajuda do Espírito Santo é que poderemos (através da Fé) sermos
convencidos da Justiça, do pecado e do juízo. Assim teremos coragem para
anunciar cada vez mais as Boas Novas. Ouvimos dizer sempre que “ Deus não
escolhe os capacitados, que capacita os escolhidos”, mas que isto não sirva de
desculpas para não vencermos a preguiça intelectual que nos impede de ler a
Bíblia, de fazer um curso de teologia ou até mesmo de participar da Escola
Bíblica de nossas igrejas. Somente com conhecimento deixaremos de sofrer e
saberemos reconhecer as falsas profecias.
Graça
e Paz!
[1] Servo de
Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João del-Rei/MG.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.


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