A relação entre o Projeto Político Pedagógico e a Igreja Cristã: Breve reflexão.
A relação entre o Projeto Político Pedagógico e a Igreja Cristã: Breve reflexão.
A relação entre o Projeto
Político Pedagógico e a Igreja Cristã: Breve reflexão.
Jonas Dias de Souza[1]
“O PPP é para escolas seculares,
qual a relação dele com a escola bíblica? Eu usei muito o material da CPAD
quando era professora de escola bíblica, é muito bom.”
A pergunta acima partiu de um
comentário realizado por uma leitora na página do facebook. Concordamos com a
afirmação de que o material das CPAD é excelente e passamos a responder.
Reconheço antes que no artigo “Como impulsionar seu Ministério?” faltou a
sensibilidade deste articulista em descrever o que seria um Projeto Político
Pedagógico (PPP), ocorre que o ponto de partida considerou que as pessoas
envolvidas com a Educação Cristã via Escola Bíblica Dominical (EBD), já tivesse
em mente a idéia do PPP.
Consertaremos esta falha
discorrendo sobre o PPP. O Projeto político pedagógico objetiva identificar e
definir a
identidade da Escola e ao mesmo tempo indicar os caminhos e metas
para podermos ensinar com qualidade. Chamamos de projeto porque ele será
planejado e executado dentro de um período de tempo. Podemos até ter um Projeto
que contemple alguns anos, mas não teremos um projeto que dure indefinidamente.
É Político, porque o ambiente escolar é um espaço de formação política de
cidadãos, assim como é a igreja. Vemos uma constante preocupação com a
conversão, mas não sentimos (com raríssimas exceções) a preocupação em educar
estes novos convertidos. Sabemos que não há diferença entre irmãos, mas um
professor de EBD que capacita trinta
novos convertidos para evangelizar contribui sobremaneira para o crescimento do
rebanho. No entanto temos sentido a negligência nesta área em várias
denominações. As anomalias vislumbradas nas redes sociais e de televisão, em
que amuletos são vendidos por igrejas, pode ser por exemplo, alvo de estudos
dentro de um assunto inserido no Plano Pedagógico de combate às heresias.
Existem queixas a respeito da
ausência nas Escolas Dominicais. Mas, o que de fato está sendo feito para incentivar
a participação e a assiduidade?
Quando vemos a Educação Religiosa
à luz da 9394/96 ou Lei de Diretrizes e Bases (LDB), temos em seu bojo:
Art. 33 O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui
disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental,
sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com preferências
manifestadas pelo aluno ou por seus responsáveis, em caráter:
I confessional, de acordo com a
opção religiosa do aluno ou do responsável, ministrado por professores ou
orientadores religiosos preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou
entidades religiosas; ou
II interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades
religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa.
Ora, se há preocupação em
realizar um programa na Escola Secular, porque não havê-lo nas igrejas? Por
acaso são públicos distintos? A resposta a esta segunda pergunta é um sonoro
NÃO. O público da escola secular tem entre suas fileiras cristãos, filhos de
cristãos e um público potencial para a evangelização. Portanto precisamos com
urgência tratar da inteligência deste artigo à luz dos interesses missionários
da Igreja Cristã. Sabemos que a lei 9475/97 regulamentou este artigo, e vedou “toda
forma de proselitismo”, mas também trouxe que “§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas
diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino
religioso."[2]
Quando houve esta consulta em nossa cidade (São João Del-Rei/MG)? O
problema é que nos preocupamos em cumprir o IDE, mas não nos preocupamos em
cumprir o IDE de forma educacional. Não basta conversões, é preciso educação
religiosa ao convertido, de acordo com as doutrinas de cada denominação:
Presbiteriana, Batista, Metodista, Assembleiana, etc. Pensar educação
religiosa, inclui trabalhar dentro do PPP, a apologética, a homilética, e
preparar professores, pregadores e administradores da Igreja. “Segundo especialistas, a elaboração do
projeto político-pedagógico precisa contemplar a missão, a clientela, dados
sobre aprendizagem, relação com as famílias, recursos, diretrizes pedagógicas,
plano de ação da escola.”[3]
Vejamos então a adequação a realidade
da igreja:
Missão: Pregar o evangelho em todo mundo conforme a Grande
comissão. Levar a Boa Nova de Salvação aos perdidos. Evangelizar. Fazer
Missões.
Clientela: Nos primeiros momentos Novos Convertidos e
posteriormente alunos de Escola Bíblica. Mais tardes, “Crentes antigos” (Velhos
na Fé) que tendem a esquecer o primeiro amor. Ovelhas obesas dão tanto trabalho
quanto ovelhas raquíticas.
Dados sobre a aprendizagem: Como está acontecendo a aprendizagem
nas escolas bíblicas? Está havendo absenteísmo? Pouca participação por qual
motivo? Classes numerosas? Ambientes adequados e logística existem?
Relação com as famílias: ocorre muitas vezes de uma pessoa aceitar
a Cristo e ser rejeitada pelos familiares. Como a igreja está atuando? Está apoiando
este conservo que sofre?
E seguimos:
Recursos. Planos de ação para
Escola Bíblica de Férias. Metodologias de Ensino. Enfim, a espaço para o PPP
nas igrejas e há uma necessidade de termos uma Escola Bíblica que seja de
verdade uma Escola Bíblica, e não uma simples reunião dominical.
[1] Servo
de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD. Pós Graduando
em Ciências da Religião pela UCAM.
[2]
Disponível em http://www.leidireto.com.br/lei-9475.html
acesso em 08/06/2015
[3]
Disponível em http://gestaoescolar.abril.com.br/aprendizagem/7-elementos-essenciais-ao-ppp-610996.shtml
acesso em 08/06/2015

Comentários
Postar um comentário