AMIZADE, AMOR E CONFORMIDADE: O PERIGO GRADATIVO DO MUNDO NA VIDA DO CRENTE.
AMIZADE, AMOR E CONFORMIDADE: O PERIGO GRADATIVO DO MUNDO NA VIDA DO
CRENTE.
Jonas Dias de Souza[1]
“Retirai-vos,
retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda; saí do meio dela,
purificai-vos, vós que levais os utensílios do SENHOR.” (Isaías 52:11)
Que o Cristão não pode ter
comunhão com o mundo, é ensinado nas igrejas que conservam a sã doutrina. Mas,
uma análise, sempre é necessário, como forma de precavermo-nos e como forma de
exortação. Exortação, ao contrário do que pensam alguns, não consiste em
xingar. Exortar é admoestar de forma sábia (do ponto de vista bíblico) com
vistas a prevenir a quebra da disciplina eclesiástica, ou a restaurar esta
disciplina. Que pode ser coletiva ou individual. Assim é que o pastor que de
fato preocupa-se com seu rebanho, e o ensina conforme a bíblia sagrada, ou
seja, a esta não acrescenta seu pensamentos e filosofias, exorta-s a que
observem e tomem cuidado com o mundo e o que nele há.
Quando lidamos com os
jovens, a coisa fica mais difícil. O caráter contestador e natural da
juventude, aliado a uma cobrança social daqueles jovens que não pertencem ao
meio Cristão, torna a situação mais delicada. Não é fácil ser jovem. É um
período de descobertas, e escolhas que não esperam. Ou seja, elas têm que ser
realizadas. Desde o curso universitário, ao primeiro amor. A pressão para que o jovem arrume um namorado
existe. Por vezes de forma velada. Se o rapaz não quer namorar, dão logo um
jeito de discriminá-lo.
Mas aos jovens, e a
comunidade evangélica, fica um alerta: É UM PERÍODO QUE NECESSITA DE INTENSA
ORAÇÃO E VIGILÂNCIA.
A sutileza do espírito do mundo reside no fato
de que ele vem calçado com sapatinhos de algodão. Seja em sua forma cultural.
Ou no relativismo moral que impera hoje em nossa sociedade. A separação do Povo
de Deus pode ser vista desde o Antigo Testamento, quando o povo Israelita foi
separado. Contudo, este mesmo povo entristeceu a Deus, pois não observou a
posição que lhe era privilegiada. O povo Israelita sempre voltava para o mundo.
Trocava a Glória (a Shekinah) de Deus por idolatrias e cultos pagãos. Veja o
Bezerro de ouro que fizeram no deserto e leiam o Livro de Juízes. No livro de
Juízes, o que mais se lê é : “Então
fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do SENHOR...”
Quando falamos da sutileza
do mundo, é porque a invasão dele na igreja, não acontece de uma só vez. Ela ocorre de forma gradativa. Gradativo é
aquilo que vai aumentando, ou diminuindo aos poucos. No caso da tolerância às
coisas mundanas e as falsas doutrinas, vão aumentando aos poucos. No caso da
vontade de orar, jejuar e consagrar, vão
diminuindo aos poucos. Assim ocorre a tomada de terreno. É algo planejado para
anos ou décadas.
O mundanismo não se limita
às nossas ações exteriores. Ele acontece também no nosso íntimo, no nosso
coração. A palavra que bem descreve é cobiça e orgulho: Cobiça pelo prazer,
cobiça pelo ter, e orgulho pelo por posição social.
Vejamos:
1) Em
primeiro lugar nasce a AMIZADE para com as coisas do mundo. No início da
vida acadêmica, o crente que se tornou
universitário é convidado a ir ao barzinho, principalmente para comemorar. No
inicio senta e toma e toma um refrigerante. Depois dá uma bicadinha na cerveja.
Depois dá uma bicadinha na bebida forte e por fim... E isto ocorre com outros
setores do mundo. Tudo começa com a amizade. É preciso estar atentos, para não cairmos
na roda de costumes do mundo. O segredo
está em manter uma estreita comunhão com O Espírito Santo, para que Ele nos
livre da sedução do mundo. Devemos lembrar que a amizade do mundo é inimizade
contra o próprio Deus. O apóstolo Paulo é enfático nas suas palavras para
prevenir sobre o perigo da amizade com o mundo: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é
inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo
constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)
Este
adultério aqui é o espiritual e não o sexual.
Adultério espiritual é ainda mais perigoso para o crente.
2) A
amizade se transforma em AMOR. Em segundo
lugar temos o AMOR às coisas do mundo.
Já aprendemos a amar os encontros da faculdade regados a desrespeito pelo outro.
E já não nos importamos mais, em ostentarmos o título de Cristão. Houve o
afastamento da igreja, a pretexto de estudar, ou pela falta de tempo. Mas isto
não ocorre somente com a faculdade. Ocorre com o futebol entre amigos, com as
festinhas de carnaval. Com a sensualidade que busca impregnar as vestimentas de
homens e mulheres. Este articulista que é possível se vestir bem, e de forma
elegante sem necessariamente mostrar partes do corpo, e sem ser cafona. A admoestação neotestamentária, pode ser vista
no livro escrito pelo apóstolo João: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há.
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne,
a concupiscência dos olhos e a soberba
da vida não é do Pai, mas do mundo.” (1 João 2: 15-16)
3) A
amizade gerou o Amor que gerou a CONFORMIDADE.
O crente agora perdeu a sua fé. Já não se choca com o pecado. Conformou-se a
forma do mundo. Quando vê um irmão da igreja, atravessa para o outro lado da
rua. Agora adotou os costumes do mundo e passeia de forma satisfatória pelos caminhos
da iniqüidade. Pensemos na exortação de
Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela
compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus, que é vosso culto racional. E não vos conformeis com este
mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos
12:1-2)
CONCLUSÃO:
Como
cristão temos que nos sentir mau com os costumes mundanos. Mas ao mesmo tempo,
temos que ter sabedoria para tratar desta invasão na igreja. Não podemos ser
condescendentes com invasões anti-doutrinárias. Mas temos que orar e procurar
respostas dentro da Palavra de Deus. Não conformar com o mundo, deve possuir um
conceito mais abrangente do que a forma como vemos os costumes mundanos. Deve
ser uma mudança interior. O jovem, a jovem, o homem, a mulher, o pastor, a
dirigente do círculo de oração, enfim o
crente que permite ao Espírito Santo lhe moldar e ocupar a sua mente, não terá
problemas com isto. Seja no ambiente de trabalho, no comércio, na vida secular,
nos estudos. Todos continuarão a ser o Sal e a Luz. E o melhor com sabor. Com
vistas a declarar que somos criaturas nascidas de novo em Cristo Jesus.
Amém!
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João
del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.


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