BOM DIA: O QUE QUER DIZER JÓ 5:19 ? (Resposta ao Leitor)
BOM DIA: O QUE
QUER DIZER JÓ 5:19 ?
Jonas Dias de
Souza[1]
Neste estudo
pretendemos responder a uma leitora que entrou em contato através do formulário
do Blog Divulgador da Palavra. Sua pergunta é a respeito do significado da
passagem bíblica “Em seis angústias, te livrará; e, na sétima, o mal não te tocará” (Jó 5.19).
Existe em
ensinamento dentro da Hermenêutica (dito em forma de senso comum) que “texto sem contexto é pretexto” ou seja, o estudo isolado de qualquer
versículo bíblico é uma ferramenta perigosa para o estudo bíblico. Textos
isolados de seu contexto imediato ou de seu contexto remoto têm servido de base
para a implantação de doutrinas desviantes dentro da seara evangélica. Portanto, temos que situar a passagem bíblica
de Jó 5.19 dentro do livro e depois dentro da Bíblia. Sabemos que o Estudo
Bíblico sem a direção do Espírito Santo é algo acadêmico. Não que o estudo
acadêmico seja espúrio, mas temos que nos acautelar para que nossos estudos não
se limitem ao mero academicismo e deixe de lado a questão tão importante da Fé
e do contexto Cristão.
SITUANDO JÓ.
O livro de Jó é
o
décimo oitavo da Bíblia e é classificado como um dos livros poéticos, possui
42 capítulos, e o principal objetivo é demonstrar a soberania de Deus e o
significado de uma Fé sólida e consistente (verdadeira) alicerçada na confiança
de que Deus tem um propósito para as nossas vidas. Mostra ainda que, “quando nada mais restar além de Deus, Ele
é suficiente”. A Graça de Deus é o
que nos basta para vivermos, independente de todas as circunstâncias adversas
que encontramos diante desta jornada e desta batalha que constitui a vida. Os
crentes em Cristo sabem que a vida é uma batalha contra as forças espirituais.
Capacitados pelo sangue de Cristo derramado na Cruz, sabemos que com Ele somos
mais que vencedores, e, portanto, após todo cenário de destruição, as bases
estarão fincadas para uma reconstrução de nossas vidas. O autor do livro de Jó é desconhecido. Já
foram sugeridos: Moisés, Salomão, Eliú e outros. Assim também a data de sua
composição não possui uma definição, se aceita a probabilidade de que tenha
sido escrito entre os anos 2000 e 1800 a.C na Era dos Patriarcas. A localização
é aceita como sendo a terra de Uz no nordeste da Palestina, no meio de Damasco e do Rio Eufrates. O livro
de Jó é tido como o primeiro livro poético da Bíblia Hebraica, sendo aceito
como um dos primeiros livros da bíblia a ser escrito. Encontramos em Jó a demonstração da missão e
a forma como Satanás trabalha. Embora mais poderoso e sábio que o homem,
Satanás deve submeter-se a Deus e só pode tocar nos justos com a permissão do
Senhor. Satanás é limitado por Deus. Em
outras passagens bíblicas encontramos referências a Jó como sendo um personagem
histórico.
Em Ezequiel: “
ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles,
pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma diz o Senhor Jeová.” (Ez 14.14),
e ainda, “ ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, vivo eu, diz o
Senhor Jeová, que nem filho nem filha eles livrariam, mas só livrariam a sua
alma pela sua justiça” (Ez 14.20).
Em Tiago: “Eis
que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor
lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” (Tg 5.11)
O que devemos
aprender ao ler o livro de Jó é que Deus conhece exatamente o motivo de cada
acontecimento e devemos nos submeter à soberania divina, imitar Jó, é decidir
confiar em Deus, independente do que possa acontecer. Isto é questão de Fé.
Uma das
fraquezas de Jó foi tentar compreender o motivo do sofrimento que o afligia,
levando-o a questionar a Deus. Mas, Jó deixa-nos a lição de que conhecer a Deus
é infinitamente melhor que saber as respostas. Não servimos a um Deus
arbitrário e tampouco descuidado, os acontecimentos que vemos em Jó, pode
acontecer com qualquer fiel nestes tempos modernos.
A DIVISÃO DO LIVRO DE JÓ.
a) Jó é submetido a um teste: (1.1 a 2.13) cai do
ápice de uma grande riqueza e prosperidade para o fundo do poço em miséria.
Sofre uma série de quatro desastres: Sequestro do gado que era uma moeda forte,
morte de seus servos. Fogo dos céus levando camelos (frota de transporte na
época) e um grande vento que exterminou seus filhos e filhas.
b) Três amigos (Elifaz, Bildade e Zofar)
respondem a Jó (3.1 a 31.40), temos aqui três séries de discursos.
c) Um jovem (Eliú) entra na discussão e responde
a Jó. (32.1 a 37.24)
d) Deus responde a Jó (38.1 a 41.34)
e) A restauração (42.1-17)
TEMAS
DO LIVRO DE JÓ.
Sofrimento, Os ataques de Satanás, A Bondade
de Deus, Orgulho, Confiança.
ENFIM
UMA POSSÍVEL RESPOSTA PARA O QUE SIGNIFICA JÓ 5.19
O capítulo 5 é a exortação que Elifaz faz a Jó
para que este busque a Deus. Elifaz era o mais velho dos três amigos (podemos
deduzir porque falou primeiro), e o curioso é que seu nome significa “Deus é
forte” ou “Deus é despenseiro”. Era natural de Temã, que era uma terra
conhecida pelos homens sábios (ver Jeremias 49.7). Possuía a firme convicção de que os
sofrimentos pelo qual Jó estava passando era conseqüência de algum grave
pecado, motivo do castigo. Seus discursos baseiam-se na experiência e na
sabedoria humana, que até hoje, associam a punição às iniqüidades. Elifaz
engana-se ao supor que a iniqüidade humana explica todos os sofrimentos.
Existem casos (como o de Jó) que o sofrimento é um meio da vontade permissiva
de Deus para que haja um fortalecimento da Fé. Sabemos que pode haver a punição
nos casos de continua iniqüidade e não arrependimento. E mesmo a conversão não
isenta o homem de responder para a justiça humana.
Converter-se significa mudar os rumos da vida,
seja física ou espiritual. Mas os atos devem ser pagos. Tomemos como exemplo um
homicida. O arrependimento o leva para os braços de Deus, mas o novo caráter
advindo desta conversão deve o compelir a querer quitar sua dívida para com a
justiça dos homens. O engano de Elifaz
reside na tentativa de explicara as ações divinas, ele explica o caso de Jó
como sendo um castigo pelos pecados. Quantas vezes temos sido assim? Pessoas
que buscam conforto com conversas com os líderes, com os dirigentes e
aconselhadores cristãos e recebem explicações simplistas. Saem com um fardo
maior do que entraram. É mais fácil colocar as explicações para os problemas no
pecado, na falta de fé, do que procurar orar para buscar uma compreensão
espiritual verdadeira do que está acontecendo.
“Porque
ele faz a chaga, e ele mesmo a liga, ele fere, e as suas mãos curam. Em seis
angústias te livrará; e, na sétima, o mal não te tocará. Na fome, te livrará da
morte; e, na guerra, da violência da espada. Do açoite da língua estarás
abrigado; e não temerás a assolação, quando vier. Da assolação e da fome te
rirás, e os animais da terra não temerás.” (Jó 5.18-22)
Segundo a fala de Elifaz, Deus é o responsável
pela dor e pelo bálsamo. Deus curaria a chaga provocada por ele como
disciplina. Podemos perguntar, e se a chaga não for conseqüência do pecado,
como a de Jó?
Associações de Jó 5.19
Porque sete vezes cairá o justo e se
levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. (Provérbios 24.16)
Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas
fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a
tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (1 Coríntios 10.13)
O
RISCO DA PASSAGEM ISOLADA
Ao lermos a passagem isolada de Jó 5.19
tendemos a nos tornar “supercrentes”. Há um perigo a frente, o melhor é nos
desviar dele. Deus pode livrar o crente não de sete, mas de milhares de perigo.
Contudo, é imprescindível que o crente tenha cautela e evite estes perigos, de
forma a não colocar-se como “tentando o Senhor”. A armadura de Deus é
conseguida através do jejum e da Oração. Existem dois sustentáculos, que são a
ORAÇÃO E A PALAVRA. Orai sem cessar e também estudar a Bíblia, seja através da
Escola Bíblica Dominical ou nos cultos de ensinamento (lamentavelmente vivemos
uma época de igrejas que não priorizam isto) é uma forma de crescer e se
fortalecer espiritualmente. O contexto
do discurso de Elifaz, deve ser visto no sentido de que devemos esperar no
Senhor, a exemplo do Salmo 46.10.
O
equívoco de Elifaz, está no fato dele pensar que Deus elimina todas as lutas da
vida do justo. O fato de seguirmos a Deus, de termos uma íntima comunhão com
Ele, de termos um comportamento Cristão exemplar, não é sinônimo de que as
lutas não virão. Este tipo de pensamento, prega um Evangelho sem Cruz. Assim
como Jó foi condenado por seus amigos, que lhe forneceram repostas incompletas
para seu sofrimento, temos hoje pessoas que também recebem respostas incompletas
dos homens, quando trocam a confiança em Deus por outras formas. A natureza humana possui arraigada a condição
de culpar as pessoas pelos seus sofrimentos,
porém as lutas não são (nem sempre são) culpas das pessoas, não cabe a nós
(homens) julgarmos.
“Em
seis angústias te livrará...” O tempo determinado por Deus para sofrermos não
se prolongará de forma indefinida, podemos crescer em meio às lutas e às
tempestades. Deus se faz ouvir em meio ás tormentas. Para tanto, devemos
aceitar a Cristo como Salvador, pois Ele é o único mediador entre Deus e a
Humanidade. Independente de ser o
sofrimento oriundo do pecado (não era o caso de Jó) ou uma permissão de Deus
para nos fazer aproximar, a sua potente voz pode ser ouvida, desde que apuremos
os nossos ouvidos através de uma vida de santificação. Quando pensamos que já
fomos livrados o suficiente, percebemos que a provisão da misericórdia de Deus
é infinita.
Elifaz
mostra a visão moralista que alguns aplicam à salvação, se esquecem que a Graça
de Deus é um escândalo pois atinge indistintamente a todos que se entregam a
Cristo. Elifaz em seu discurso mostra o dogmatismo que impera em muitas
igrejas. Não só Elifaz, mas todos os amigos buscaram uma explicação fácil e
simplista para o sofrimento, colocando a fórmula causa e efeito.
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João
del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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