Como Evitar Desequilíbrios Espirituais
Arthur W. Pink
(A mensagem original é "Como evitar desequilíbrios religiosos")
Vigilância,
oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de
Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade.
Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para
sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que
leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:
1. Quando, em nossa determinação de nos tornarmos ousados, nos tornamos atrevidos. Coragem
e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em
perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na
confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e
Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda
que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o
seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sacerdote: "Deus
há de ferir-te, parede branqueada". No entanto, deve-se dar um crédito
ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se
imediatamente (At 23.1-5).
2. Quando, em nosso desejo de sermos francos, tornamo-nos rudes.Candura
sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se
vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando
tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não
deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).
3. Quando, em nossos esforços para sermos vigilantes, ficamos a suspeitar de todos. Posto
que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum
deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver
um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em
qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa
ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai
vencedor.
4. Quando tentamos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os
santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de
caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia
religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se
deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a
graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente.
"Alegrai-vos sempre no Senhor" ( Fp 4.4).
5. Quando tencionamos ser conscienciosos e nos tornamos escrupulosos em demasia. Se
o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão
na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de
angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo
de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente
temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que
essa auto-tortura é uma prova de piedade.
Enquanto
os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum à
toda raça humana), pregando o "meio-termo áureo", o cristianismo oferece
um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo
com todos os fatos da existência, leva em consideração este
desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é
uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente
não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à
imagem de Cristo.
Fonte: Fiel.com.br
Comentários
Postar um comentário