COMO VIVENCIAR A EXPERIÊNCIA DA SALVAÇÃO? UM BREVE ESTUDO DO SALMO 32.
COMO VIVENCIAR A
EXPERIÊNCIA DA SALVAÇÃO? UM BREVE ESTUDO DO SALMO 32.
Jonas Dias de Souza[1]
Cremos que Cristo morreu na Cruz do
calvário para resgatar-nos do pecado. Cremos na sua ressurreição ao terceiro
dia. Cremos que Ele é o único caminho que leva a Deus. Por isto um dia nos
decidimos em aceitá-lo como Salvador, como remidor, e uma grande maioria fez
uma decisão pelo estreito caminho do Evangelho. Após a aceitação pública (nem sempre esta é a regra),
fomos discipulados e decidimos pela confissão de fé realizada publicamente. É
isto mesmo, o batismo é uma confissão de fé pública realizada diante da
congregação. Momento em que aceitamos as regras (doutrinas) da congregação ou
denominação e as doutrinas cristãs. Inobstante a isto, a experiência de
salvação não é algo que possa ser realizada de forma coletiva. A singularidade
desta experiência é vivenciada unicamente pelo indivíduo. Não podemos viver a
experiência alheia, podemos aprender com a experiência alheia. Os testemunhos
quando fidedignos são fonte de crescimento para a igreja.
Ainda assim, existem pessoas que
precisam vivenciar a
experiência da salvação. O ensino equivocado da teologia
da prosperidade leva alguns a pensarem que a experiência da salvação está
ligada ao iminente sucesso financeiro e nas ascensões sociais, mas a
experiência da salvação é algo palpável através de ações diárias que muitas
vezes não são sequer percebidas pelo crente. É também um semáforo que sinaliza
o caminho a seguir na igreja local. Quando estamos vivenciando a experiência da
salvação sentimos o desejo de trabalhar para Deus. A partir do momento que aceitamos a Cristo
estamos salvos, mas vivenciar a experiência é algo cotidiano. O vocábulo
experiência vem da língua latina (experientia),
significando experimentar. Uma prática de vida. Por isto dizemos “O pastor
fulano é uma pessoa experiente.” A habilidade, a perícia, a prática adquirida
no exercício de ser salvo, é a experiência de salvação. Podemos ter um crente
que não vivencie a experiência de salvação? Por mais que seja dolorosa, a
resposta é sim. O crente que não vivencia a experiência de salvação, é aquele
que se deixou dominar pelo legalismo religioso, e para o qual, a oração e a
palavra (dois sustentáculos da vida cristã) deu lugar à murmuração.
A experiência é também (no âmbito da
filosofia) um conhecimento que nos é transmitido pelos sentidos, e ainda, um
conjunto de conhecimentos que o indivíduo adquire através das aquisições da
humanidade. Em termos cristãos temos a experiência que adquirimos a partir de
nossa conversão, que são as mudanças individuais e de personalidade (morre o
velho homem e nasce um novo através da água e do espírito) e a experiência
coletiva através do estudo sistemático da bíblia, que ocorre com a presença na
Escola Bíblica Dominical (EBD) e nos Cultos de Doutrina, que são os cultos
destinados ao Ensino da Palavra de Deus. Experiência nada mais é que a
experimentação. Neste caso a experiência de salvação é a experimentação
consciente e racional da vida Cristã. A experiência de salvação situa-se
naquele momento que chamam de “primeiro amor”. Ocorre que esta experiência é
muitas vezes confundida com “entusiasmo”. Entusiasmado, o novo convertido quer
participar de todos os ministérios, quer evangelizar, quer pregar, quer testemunhar.
Com o passar do tempo vai ficando acomodado no seio da igreja. Este Salmo é o Testemunho de um pecador
perdoado.
VEJAMOS ESTA EXPERIÊNCIA NO SALMO 32.
“
Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.”
(Sl 32.1)
Alcançamos um estado de
bem-aventurança a partir da salvação por causa do perdão dos inúmeros pecados
que nos pesavam, tal qual fardos insuportáveis. Pecados cobertos pelo sangue
derramado por Cristo no madeiro.
“Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniqüidade, e em
cujo espírito não há dolo.” (Sl 32.2)
A bem-aventurança
continua com a ação do Espírito Santo (Penhor e Herança) na vida do salvo. Já
não há atribuição de dolo para esta alma.
O apóstolo Paulo faz referência a este versículo em sua carta aos
Romanos (Cf Rm 4.7-8) onde ensina que a justiça divina é independente das obras. A boa obra não salva, mas é sequencia da
salvação.
“Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu
bramido durante o dia todo”. (Sl 32.3)
Quando reconhecemos os
nossos pecados, somos consumidos por uma grande aflição. A nossa consciência é
incapaz de nos absolver por si própria. O que pode acontecer é a cauterização
da consciência. Ela muda seus padrões morais e éticos para se acomodar ao
pecado, mas não se sente perdoada. Ao aceitarmos a Cristo e sermos salvos,
vivenciamos a experiência da confissão dos pecados. Ao confessarmos para Deus
os nossos pecados, esta aflição desaparece. Alerte-se para o fato de que as
conseqüências do pecado permanecem, mas o seu peso sobre a nossa alma não. Numa
outra versão este versículo fala de envelhecimento dos ossos.
“ Porque de dia e de noite
a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio”. (Sl
32.4)
A justiça de Deus para o
pecador é descrita como uma mão pesada. O humor do pecador é como uma terra
árida sem a água fertilizadora das chuvas. Não há prazer nas menores ações da
vida. Somente uma vivência enfadonha. A salvação preenche este vazio que a alma
sente e ressente. Esta ausência de Deus não mais terá lugar. Encontramos
argumentos de que Deus é onipresente e que esta ausência não deveria existir.
Contra argumentamos com o fato de que embora seja onipresente, a manifestação
divina se dá em total respeito ao livre arbítrio humano, ou seja, se não
permitirmos, Deus não se manifestará em nossas vidas.
“Confessei-te o meu pecado, e
a minha iniqüidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas
transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado”. (Sl 32.5)
O resultado da confissão
sincera do pecado é o perdão do pecado. Este perdão é um presente de Deus.
Presente que recebemos sem merecer. A escandalosa Graça de Deus alcança o
pecador sem merecimento nos mais profundo pântano. Onde não penetra a luz do
perdão humano, penetra a luz mais graciosa denominada salvação. (Cf Dt 9.9; Mc
2.7). Este perdão nos é dado por Jesus (At 5.31, 13.38). A abrangência do
perdão é tão incomensurável, que não há transgressão que ele (perdão) não possa
alcançar. Leiam Atos 3.19 e Romanos 5.20. Confiar a Deus os nossos pecados e a nossa incapacidade de
sermos fiéis, sem a ajuda do Espírito Santo. Nós confiamos a Deus a nossa
intenção de abandonar o pecado e ao mesmo tempo confiamos na misericórdia
divina. Caso persistamos neste pecar sem arrependimento enfrentaremos a justiça
divina.
“Pelo que todo aquele é
piedoso ore a ti, a tempo de te poder achar; no trasbordar de muitas águas,
estas e ele não chegarão”. (Sl 32.6)
A paciência de Deus é
limitada. Embora sua misericórdia seja infinita, sua paciência é limitada.
Tu és o meu esconderijo; preservas-me da angústia; de alegres cânticos
de livramento me cercas. (Sl 32.7)
Lembramos de outro salmo,
o 91. Deus possui esconderijos destinados aos crentes fiéis.
Encontramos aqui a
importância dos cânticos (hinos de louvor), o crente que aprende os hinos,
passa pela prova cantando.
Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir;
aconselhar-te-ei, tendo-te sob a minha vista. (Sl 32.8)
Os apóstolos não tinham
ao alcance da mão a Bíblia com o cânon que conhecemos. Tinham escritos
fragmentados em livros separados. A Bíblia é hoje a forma de ouvirmos a voz de
Deus. Não deve ser utilizada como instrumento de adivinhação e nem tampouco de
domínio da congregação. A experiência de salvação pode ser sentida com a
leitura sistemática da Bíblia. Infelizmente os tempos modernos nos tomam tempo
de dedicação à leitura da Bíblia. Lembrar-nos-emos
de usar a tecnologia a nosso favor: Bíblia em áudio, em tablets e celulares.
Podemos nos deslocar ouvindo porções bíblicas nos vários formatos. Lembrando
que Deus não nos perde de vista.
Não sejais como o cavalo, nem
como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio;
de outra forma não se sujeitarão. (Sl 32.9)
Deus não deseja que seus
filhos sejam como mulas e cavalos que são guiados por freios a cabrestos. A
escolha entre disciplina e castigo e entre amor e sabedoria é puramente humana.
A vontade de Deus é guiar-nos em amor e sabedoria, tanto que colocou a missão
de propagar o Evangelho em mãos de homens e não de anjos. Devemos evitar a
cauterização de nossa consciência. Uma consciência cauterizada não percebe a
presença divina ao nosso redor. Existe um hino bem antigo que diz “Ao meu redor
Deus está sempre está.” Esta mensagem deve preceder o fato de que Deus se
manifesta onde é permitida a sua manifestação.
O livre arbítrio humano é respeitado por Deus. Esta prova de sua
manifestação sob a nossa permissão pode
ser confirmada quando lemos Jeremias 33.3. Clamamos a Deus e Ele se revela a
revela coisas grandes que não sabemos. Podemos permitir que a nossa rebeldia
nos impeça de ouvirmos a voz de Deus, mas não podemos impedir que sua justiça
nos alcance.
O ímpio tem muitas dores, mas
aquele que confia no Senhor, a misericórdia o cerca. (Sl 32.10)
As dores que o ímpio
sente, são a disciplina e o castigo do Senhor que cria oportunidade para
encontrá-lo. O livro de Provérbios
ensina que “O mal perseguirá aos
pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem”. Afirmamos
anteriormente que não há Evangelho sem Cruz. O crente passa por dificuldades,
mas ele passa entoando cânticos de agradecimento a Deus, porque a misericórdia
de Deus é escudo e fortaleza. Como Lutero escreveu: Castelo Forte é nosso Deus.
Podemos manter a serenidade em meio a lutas e tempestades.
Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós justos; e cantai de
júbilo, todos vós que sois retos de coração. (Sl 32.11)
Ao vivenciarmos a
experiência de salvação passamos a alegrar-nos em Deus, a cantarmos de alegria
e crescemos em santificação.
O salmo 32 é de gratidão,
fundamentado numa experiência de arrependimento. O pecador após ser tocado pelo
Espírito Santo se arrepende e ao experimentar a certeza do perdão, se torna uma
Nova Criatura.
[1] Servo
de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões Ministério São João del-Rei.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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