CONSIDERAÇÕES SOBRE A SALVAÇÃO.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A SALVAÇÃO.
Jonas Dias de
Souza[1]
A
premissa maior da crença cristã é o resgate (salvação) ou propiciação que Jesus
proporcionou aos pecadores com seu sacrifício na cruz no Gólgota. Salvação e ressurreição são assim os pilares
sobre os quais se sustentam a Fé em Deus (o Grande Eu Sou) e em seu filho Jesus
Cristo, e no Espírito Santo. Enquanto crentes em Cristo precisamos compreender
o processo de salvação. Deve existir um quê de razão acompanhando a nossa fé.
Um dos pais da Igreja, Agostinho de Hipona (Teólogo Latino 354-430), disse que
devemos compreender para crer e crer para compreender. Refletindo nesta afirmação Agostiniana,
entendemos o motivo de haver tantos exploradores da Fé alheia. Muitos querem
crer, mas possuem uma preguiça intelectual que os impede de ler a Bíblia. Se
estudassem a Sã Doutrina em uma igreja séria e comprometida com a verdade, não
seriam explorados. Mas uma infinidade de pessoas preferem
a Bíblia em pequenas
porções aos domingos, do que dedicarem-se a um estudo aprofundado e guiado pelo
Espírito Santo de Deus, das verdades contida em sua palavra ( a Bíblia
Sagrada).
A
Trindade (embora a palavra não venha expressa na Bíblia) tem uma missão que
cada um dá cumprimento no tempo certo escolhido por Deus. A missão que coube ao
filho inicialmente foi a de cumprir a lei totalmente e mesmo assim ser dado por
resgate de muitos. A Bíblia nos ensina que através de um Homem (Adão) o pecado
encontrou guarida no seio da humanidade. E através de um Homem (Jesus Cristo)
foi realizado a justificação. Mas a missão do filho de Deus, não aconteceria se
Deus não tivesse um amor incomensurável por sua criação.
Porque
Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo
o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16)
Não há como
medir o amor, e tampouco a justiça de Deus.
A justiça precisava ser satisfeita, para que a mancha proporcionada pelo
pecado fosse apagada. Como um Juiz amoroso que julgou de forma imparcial, Deus
enviou um que fosse capaz de cumprir a missão e resgatar aqueles que estavam
perdidos. Contudo, a exigência para
receber esta justificação é crer no filho. Este amor (agape) é o motivo pelo qual, o mundo outrora alienado e condenado
pode agora optar pela vida eterna. Quando dizemos “optar” é porque Deus
respeita o livre arbítrio que é inerente aos homens. Portanto não há uma crença
forçada, senão uma vontade exercida pela livre vontade do homem, em crendo na
Cruz, se aproximar de Deus. A cruz não veio para condenar a humanidade, mas
para salvá-la. Mas cabe a cada um aceitar ou não este resgate. Após o
sacrifício salvífico, temos um porto onde ancorar o nosso barco que estava sujeito
às intempéries da vida sem Deus e sem salvação.
Porquanto
Deus enviou o seu filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o
mundo fosse salvo por ele. (João 3.17)
Há um episódio
no Antigo Testamento (AT) que ilustra o que aconteceria com o soerguimento da
Cruz. Moisés levanta uma serpente para que pela Fé, os que eram picados pelas
serpentes se curassem. Assim ocorreu com a cruz. O Cristo crucificado, somente
pode ser visto pela Fé. A vida celestial é dada ao crente, após reconhecimento
de Jesus como substituto sacrificial. Isto considerado, podemos tecer algumas
considerações sobre os aspectos da salvação.
1)
SUA
FORÇA MOTRIZ.
A
força que levou o inicio do plano de salvação foi o amor que Deus nutre pela
sua criação. A humanidade herdou de Adão
uma natureza corrompida pela desobediência, induzida pelo seu inimigo (da
humanidade) Satanás. Chamado de Príncipe
deste Mundo, ele deseja construir um reino com as criaturas que Deus criou. Por
isto o ataque que até hoje o mundo sofre. Contudo, o amos de Deus é muito
maior. Temos que ter cuidados com explicações que dizem que o sacrifício de
Jesus visava pagar o Diabo. Isto não é biblicamente correto. O sacrifício de
Cristo visava satisfazer a Justiça Divina. Justiça esta que foi colocada em ação
pela Força Motriz que é o amor de Deus. Um alerta dever ser feito. O propósito
principal de Cristo é a Salvação, mas, homens que amam mais o mundo e o pecado
não escapam da justiça proporcionada pela Luz.
Aliança
da graça. As partes eram Deus e o homem através do Senhor Jesus Cristo, ou talvez
melhor, Deus, Jesus Cristo e os homens à medida que estes se tornam unidos a Cristo através da fé nele. Este conceito de
aliança da graça entre o Pai e o Filho em que a salvação é oferecida aos
pecadores pode ser encontrado em Efésios 1.3-6, onde está escrito que Deus nos
escolheu em Cristo antes da fundação do mundo. Veja também 2 Timóteo 1.9; Tito
1.2; João 3,17; 17.4-10,2124. A condição é, novamente, a fé salvadora, expressa
no AT por atos de fé como os de Abel (Hb 11.4), Abraão e Davi (Rm 4.3,6-8), e
pela aceitação de Jesus Cristo como revelado no NT. Os resultados são a vida
eterna para os crentes, e a condenação eterna para aqueles que não crêem. (Pfeiffer)
2)
O
INICIADOR.
A
iniciativa da Salvação partiu de Deus. Se o criador, não sentisse amor por sua
criação, Ele simplesmente a deixaria com a opção que foi feita. E nós por
herança, teríamos a corrupção, sem forma de escapar. A Graça divina nos alcançou pela iniciativa
de Deus. Quando lemos que Ele nos escolheu, entendemos que esta escolha
aconteceu sem que tivéssemos qualquer mérito. Os recipientes da graça (homens)
não a mereciam, mas ainda assim, a graça foi dada por Deus, por intermédio de
Jesus Cristo.
Bendito Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus
Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de benção espiritual nas regiões
celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou
para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o
beneplácito de sua vontade, para louvor da Glória da sua graça, que ele nos
concedeu gratuitamente no amado, (...) (Efésios 1. 1-6)
Deus, na fundação do mundo, considerada
a sua onisciência, escolheu-nos, para sermos recebedores de sua graça. Não há
dificuldade em entender. Imagine que você escolha alguém para receber um
presente. Você decidiu que irá dar um presente, mas a escolha sobre aceitar ou
não, é exclusividade da pessoa escolhida. Deus deseja que nos reunamos com Ele,
mas o livre arbítrio é respeitado. Como homens, não temos a capacidade de
aproximar de Deus, sem que Ele dê um passo em nossa direção. Este passo foi
dado no momento em que Jesus cristo foi destinado a ser o nosso
substituto. Quando o homem escolhe
rejeitar a Cristo como seu legítimo e suficiente salvador, ele escolhe levar
uma vida sem Deus. Ora, isto é rejeitar a culpa imposta pelo pecado. “Aquele
que aceita a Cristo, reconhece sua pecaminosidade. Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar de toda
injustiça.” ( 1 João 1.9)
3)
O
MEDIADOR
Jesus
Cristo foi eleito o mediador entre a humanidade perdida no pecado e Deus. Aliás,
Jesus é o único mediador. Ouvimos de forma equivocada a afirmação de que “Todos
os caminhos levam a Deus”. Isto é mentira. Cristo é O CAMINHO e não um dos
caminhos. O filho unigênito foi dado como sacrifício substitutivo para que nós,
por seu intermédio nos aproximássemos de Deus. “No momento da morte do Senhor
Jesus Cristo, o véu do templo de Herodes foi rasgado de cima abaixo e o lugar
santíssimo ficou exposto (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23,45).” (Pfeiffer)
O
papel desempenhado por Jesus cristo foi de advogado. Perante o Tribunal de
Deus, a humanidade foi condenada pela desobediência do primeiro Adão. Foi
necessário que o segundo Adão (Cristo) advogasse a nossa causa e se oferecesse
como sacrifício vivo, perfeito em nosso lugar. Para a nossa salvação foi que se
ofereceu.
Ao mesmo tempo, se alguém comete um
pecado, conta com um “Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2,1).
Para compreender o que João quer dizer, devemos entender que ele também tinha
um adversário que constantemente se apresentava para acusá-lo perante Deus, o
próprio Satanás (cf Zc 3.17; Jó 1.6-12; 2.1-7; Ap 12.10). No trabalho de Cristo
como Advogado, Ele pleiteia sua própria expiação para perdoar os pecados dos
crentes e defendê-los contra os ataques de Satanás perante Deus. (Pfeiffer)
Quando cremos que Jesus é o
caminho, a verdade e a vida. Quando cremos que Ele morreu para nos salvar.
Quando cremos nele e o aceitamos como salvador. Passamos a reconhecer que os
nossos pecados nos separavam de Deus. A
partir deste momento podemos contar com um advogado. Aquele que crê em Cristo não será julgado.
“Quem nele crê não será julgado; o que não crê não está julgado, porquanto não
crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3. 18). Para melhor compreensão,
recomenda-se a leitura de 1 Timóteo, especialmente os capítulos 2 e 5.
Para
Paulo, Jesus Cristo é o mediador da resposta divina ao pecado, o locus da
justificação do pecador. Em Cristo, Deus conduz as pessoas ao mundo novo do
Espírito, mas até a consumação de todas as coisas a vida nova continua em meio
a um mundo velho e agonizante, onde a fraqueza e a corrupção, o pecado e a
morte (ver Vida) ainda atacam os fiéis (Rm 7). O constante e insistente chamado
paulino à santificação é antídoto divino para a hostilidade e o poder contínuos
do pecado. (Hawtorne, et al., 1993)
4)
O
DESTINATÁRIO DA SALVAÇÃO.
Por mundo,
entendemos que a humanidade é a grande destinatária da salvação. Simbolicamente
o mundo é formado por aqueles que ainda não reconheceram a soberania de Cristo
sobre suas vidas. Estão, portanto, sob a influência da carne. É preciso
entender que a existência humana possui dois modos de ser (dentro do ponto de
vista cristão) a carne e o espírito. O homem espiritual consegue discernir,
entender coisas que o homem natural não compreende. Hoje uma das principais
formas de escravização que o mundo exerce sobre os homens que lhe são afetos é
a idolatria. Idolatria possui um entendimento muito maior do que o culto que se
presta às imagens representativas de divindades. Mas até em meio aos crentes
pode ocorrer a substituição da Glória de Deus por outras coisas. Este mundo,
formado por homens destituídos da Glória de Deus (por herança Adâmica) é o
destinatário da salvação. Contudo, nem todos, acreditarão na propiciação por
meio de Cristo.
O
mundo caído. O pecado entrou no kosmos quando Adão, seguindo a liderança de
Satanás, descreu em Deus e se rebelou. A partir daquele momento, os
irregenerados são filhos de Satanás (Jo 8.44), e só podem se tornar filhos de
Deus através do novo nascimento (Jo 3.3-7). Assim, o termo “mundo” designa,com
muita frequência, a humanidade como um todo em rebelião contra Deus, e
destinada ao juízo. (Pfeiffer)
O mundo é comumente o termo que
designa os homens que estão separados de Deus.
Aos olhos das leis sociais, não constituem a pior espécie de homens. O
mundo possui uma infinidade de homens que são moralmente e eticamente pessoas
boas, retas e probas. Mas em se tratando de pecado, estão aos olhos de Deus
condenadas, pelo fato de não aceitarem a seu filho como mediador da salvação,
por Ele destinada. “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do
Espírito, é espírito.” (João 3.6)
O homem natural
não será herdeiro da vida sobrenatural, se não se converter. A conversão vem
pelo arrependimento.
5)
OS
BENEFICIÁRIOS.
Destinatário é
totalmente diferente de beneficiário. Os
que serão beneficiados pela salvação, serão aqueles que crerem em Cristo. João
3.16 é claro, ao dizer que só herdará a vida eterna quem crer. “todo o que nele
crê não pereça”.
Deus amou o mundo caído o suficiente
para enviar o seu Filho para dele redimir os seus eleitos (Jo 3.16; 1 Jo 4.14).
Jesus veio trazer juízo sobre este mundo caído (Jo 9.39) e sobre o seu
príncipe, Satanás (Jo 12.31; 14.30). Isto foi realizado na cruz (Jo 16.11). A
morte de Cristo é suficiente para todos (1 Jo 2.2), mas só é eficaz para o
crente. Foi em benefício dos seus que o Senhor fez sua oração como Sumo
Sacerdote (Jo 17.9), e é por eles que Ele intercede constantemente junto a Deus
Pai (Hb 7.25). Em sua segunda vinda, o reino do mundo se tornará o seu reino
(Ap 11.15). Os crentes, juntamente com seu pai, Abraão, deverão ser herdeiros
deste mundo e reinar sobre ele com Cristo (Mt 5.5; Rm 4,13; 8.17; cf. Ap 5.10). (Pfeiffer)
O beneficiário torna-se com isto
um cristão em essência e em verdade. O cristão verdadeiro vem a Jesus e o
segue. Crê em Cristo como único salvador. Recebe a vida eterna. Dá testemunho
de forma alegre.
6)
O
PRÊMIO.
O prêmio para
aquele que perseverar na fé e na confiança depositada em Cristo como seu
salvador será o galardão. Muito se tem discutido sobre o que é ou não é o
galardão. O crente receberá um salário pelos trabalhos prestados na Seara. A
seara ou ceifa é constituído pelos homens que ainda jazem presos, sob a
influência do pecado e sob o domínio do príncipe deste século. Os crentes ao
cumprirem a missão de pregar e anunciar as Boas Novas (Evangelho) e com sua
maneira de viver testemunhar de Cristo, está trabalhando. Ora todo trabalhador
é digno de seu salário.
O termo salário (galardão ou recompensa)
é também utilizado de forma figurativa, como a compensação recebida por aqueles
que trabalham na seara do Senhor Jesus Cristo (que é composta por almas, Joâo
4.36), e da morte como o salário do pecado (Rm 6.23). (Pfeiffer)
O termo galardão
é sinônimo de prêmio. O prêmio é compatível com o trabalho em prol do Reino de
Deus. A respeito de prêmio aprendemos
ainda com Pfeiffer que:
Essa palavra está intimamente ligada às coroas
mencionadas como recompensa pela conduta e pelo serviço dos cristãos; pela justiça
daqueles que amam a Cristo e preparam-se para a sua segunda vinda (2 Tm 4.8);
pela vida daqueles que pacientemente suportam as tribulações do treinamento (Tg
1.12; Ap 2.10); como a glória para o fiel pastor (1 Pe 5.4) ou como a alegria
daqueles que ganham almas (1 Ts 2.19; cf. Fp 4.1).
O prêmio dos
atletas nos tempos bíblicos era uma coroa de louro que se corrompia com o
passar do tempo. Mas o prêmio do crente é uma coroa que não se corrompe com o
tempo.
CONCLUSÃO:
Devemos procurar
compreender a salvação para crermos nela. E ao mesmo tempo crer nela para a
compreendermos. Quando estudamos a Palavra de Deus, seguida de oração e jejum.
E quando clamamos ao Espírito Santo de Deus, o véu que paira sobre o nosso
entendimento é descortinado. Passamos a ver então com os olhos espirituais, e
temos o discernimento correto da vontade de Deus para as nossas vidas.
Após isto, é nos
alistarmos para sermos ceifeiros na Seara. Já alcançamos a Salvação? Agora
lutemos pelo prêmio dedicado aos crente fiéis.
BIBLIOGRAFIA:
Hawtorne Gerald F., Martin
Ralph P. e Reid Daniel G. Dicionário de Paulo e suas cartas .São Paulo : Vida Nova, 1993.
Bíblia Shedd
Os Pensadores (Santo Agostinho) [Livro]. - São Paulo/SP : Nova Cultural,
1999.
Pfeiffer Charles F. Dicionário
Bíblico Wycliffe. CPAD.
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões em São João del-Rei/MG.
Estudante de Teologia da EETAD. Pós Graduando em Ciências da Religião pela
UCAM. Graduado em Filosofia pela UFSJ.

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