Dicotomistas ou Tricotomistas: Uma breve análise desta não tão importante disputa teológica.
Dicotomistas ou Tricotomistas: Uma breve análise desta não tão importante disputa
teológica.
Jonas Dias de Souza[1]
Existem algumas
discussões no campo teológico que perduram por muitos anos. Não se chega a um
denominador comum e volta e meia surgem defensores de um ou outro ramo do
pensar. Não queremos “colocar lenha na fogueira” a respeito desta divisão, mas
elucidar o que vem a ser o significado destes vocábulos.
Quando lemos os
Evangelhos sinóticos, vemos que o corpo é um ponto em comum nestas duas
doutrinas. Em Mateus 27.50, “E Jesus, clamando outra vez com grande voz,
entregou o espírito.” Em Lucas 15.37, “E
Jesus, dando um grande brado expirou.”
Em João 19.30, “ E quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado.
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.”
Ora, como ouso afirmar, que o corpo é ponto em comum nestas duas
vertentes de pensamento, com passagens bíblicas que falam de outra composição
humana?
Porque a parte material é indiscutível. O Corpo humano por ser visto,
palpável e sentido, não apresenta nesta questão muito que se discutir. Mas
aquilo que não podemos ver é que movimenta os neurônios de muitos.
Recorreremos ao
Dicionário de Almeida para vermos a definição de ALMA: “A parte não-material e
imortal do ser humano, sede da consciência própria, da razão, dos sentimentos e
das emoções.” O léxico de Almeida nos direciona para lermos Mateus 10.28, que
diz assim: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;”. Mas,
o mesmo dicionário define ESPÍRITO como sendo, “ A parte não-material, racional
e inteligente do ser humano”. Os
dicotomistas acreditam que são sinônimos, alma e espírito. Os tricotomistas
acreditam que alma e espírito sejam diferentes. Podemos usar a definição de
Almeida para apoiar as duas teorias. Se tomarmos a definição somente em sua
parte “não-material”, teremos que pender para os dicotomistas. Se tomarmos a
definição em sua parte “emoção e razão” encontraremos funções diferentes,
apoiando a teoria tricotomistas.
O que fazer então? Existe
uma frase que o senso comum aplica para questões de somenos importância: “Procurar
pêlo em ovo”. Traduz a impossibilidade
de se chegar a um denominador comum sem tirar das partes a razão que lhe cabe.
Ou seja, enquanto se discute questões teológicas, as almas ou os espíritos vão
perecendo por falta de ouvir o essencial e o indispensável: CRISTO SALVA, CURA,
LIBERTA, BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO E LEVA PARA O CÉU. Não digo com isto que não devemos nos
posicionar e argumentar sobre as questões propostas pela teologia. O que afirmo
é que não podemos perder de vista a missão principal do Evangelho que é pregar
as Boas Novas, pregar sobre a possibilidade de perdermos as nossas almas.
Quando continuamos a leitura de Mateus, vemos
a continuação do destino da alma “ temei, antes aquele que pode fazer
perecer no inferno a alma e o corpo.”
Os dicotomistas
compreendem que o homem é formado por corpo e alma. Os tricotomistas acreditam
que o homem é composto por corpo, alma e espírito. E ambos acreditam que o único caminho para o
céu é Jesus. Reside nisto a essência de
ser cristão. A antropologia não pode
tomar o lugar da pregação do Evangelho. Embora deva ser estudada. O candidato a
teólogo não pode se furtar de estudar a antropologia, até mesmo porque, a
pregação e o sermão serão dirigidos aos homens.
Na Bíblia é possível encontrar apoio para as duas teorias. Mas frisamos
que o essencial é que dicotomistas e tricotomistas são irmãos em Cristo, e
ambos acreditam que há uma parte do ser humano que prossegue vivendo
conscientemente depois da morte. A
escolha que devemos fazer é como queremos que nossa consciência fique depois da
morte? Com Cristo ou sem Cristo?
Por não ser intenção
fazer uma análise aprofundada do assunto segue alguns links para estudo: Imortalidade da alma
Não se esqueçam que longe das controvérsias teológicas, a principal
missão do Teólogo é a de anunciar as boas Novas. Não importa ter o anel
acadêmico no dedo se a sua pregação não atinge o público que necessita
de salvação. Convém guardar as discussões teológicas para os livros e
deixar o altar para aquilo que de fato foi destinado. Falar da Salvação
Eterna. A Salvação conduz a vida eterna. Esta provisão da Graça de Deus,
faz com que os homens que aceitam a Cristo como legítimo e suficiente e
único salvador (Sejam dicotomistas ou tricotomistas) tenham seus nomes
escritos no livro da vida. Existem temas teológicos que servem para
desperdiçar a energia do pregador. Tempo tem sido desperdiçado na defesa
apaixonada de teorias teológicas e a vinda de Jesus se aproxima sem que
vejamos e a anunciemos. Seria esta a afirmação de que a letra mata?
Isto é outro assunto.
[1]
Servo de Deus. Congrega na Igreja Assembleia de Deus Missões em São João
del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ.

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