Divulgador da Palavra Responde: Sobre a freqüência da Santa Ceia ou Ceia do Senhor
Divulgador da Palavra Responde: Sobre a freqüência da Santa Ceia
ou Ceia do Senhor.
Jonas Dias de Souza[1]
“Sou
leitor do seu blog, sou da Igreja Batista novo na fé... Aceitei ser uma nova
criatura em abril deste ano...seus estudos me ensinam muito fico grato
Deus por ter essa oportunidade...
Queria se possível me esclarecesse porque a Santa Ceia é
celebrada todo mês já que se trata de um memorial da morte de Cristo uma
comemoração do aniversário... Vejo muitas criticas a igreja Católica por comemorar
sempre que tem missa, não estaríamos cometendo o mesmo erro? Agradeço,”
Objetivando responder ao questionamento de nosso leitor, vamos
discorrer sobra a SANTA CEIA ou CEIA DO SENHOR. Este assunto é tratado dentro
da Eclesiologia.
A reunião mais solene da Igreja é a Santa Ceia. Lamentavelmente,
temos notícia de que esta celebração vem perdendo a solenidade e importância
que lhe é devida. Creditamos isto à ausência de estudos bíblicos e falta de
leitura da bíblia. A vida corrida do
mundo moderno, tem impedido algumas crentes de se reunirem para a solene
celebração desta cerimônia que antes de mais nada, é uma ordenança.
A Santa Ceia visa reavivar na memória de cada crente: A
encarnação, a paixão e morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto, ao
chamarmos de Ceia do Senhor, não estamos errados. Neste momento estamos
lembrando, recordando, do sacrifício vicário de Cristo.
“Porque,
todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte
do Senhor, até que venha.” (1 Coríntios 11: 26)
A Santa Ceia á segunda ordenança da Igreja, ocorrendo sua
instituição na noite em que o Senhor Jesus sofreu a traição perpetrada pelo
discípulo Judas Iscariotes. Encontramos esta ordenança nos Evangelhos sinóticos
de Mateus e Marcos.
“Enquanto
comiam, Jesus tomou o pão,e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e
disse tomai: Tomai, comei, isto é o meu corpo.
E, tomando
o cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos. Porque isto é o
meu sangue, o sangue do Novo Testamento que é derramado por muitos, para
remissão dos pecados.” (Mateus 26: 26-28)
Ao lermos estes versículos já aprendemos que os dois elementos
da Ceia do Senhor são: O Pão e o Vinho.
O Pão simboliza o corpo de Jesus Cristo que foi partido, moído,
por nossas transgressões, conforme descreve de forma profética o profeta Isaias
(Cap. 53)
Calvino, lembra que assim como é impossível vermos os grãos que
constituem o pão, deve ser a igreja, numa comunhão indissolúvel. Vemos primeiro
que Cristo falou, abençoando-o, e em seguida deu aos discípulos. Chamando a
atenção para o fato do pão ser seu próprio corpo. O Pão é o primeiro elemento
da Ceia.
Já o segundo elemento, o vinho, representa de forma simbólica, o
sangue, derramado em favor daqueles que o receberem pela fé. Simboliza também a
Nova Aliança. Deus estabeleceu por intermédio de Cristo (João 3:16) a Nova
Aliança com a humanidade. Mas é necessário crer no filho de Deus para
acessarmos os termos desta aliança.
A ceia leva-nos através de palavras e atos a lembramos do drama
do calvário. Homens novos, renascidos, participando a milênios, da natureza de
Cristo, e ao mesmo tempo recebendo um conforto espiritual da Igreja local
(congregação) e irmanando-se aos crentes de todo mundo que é a igreja
universal. Isto de fato é também chamado de comunhão.
Vamos, porém, analisarmos algumas palavras desta passagem de
Mateus.
Abençoando-o: Está implícita aqui a
consagração deste pão, dedicando-o especialmente para este momento e objetivo.
Pedindo a benção de Deus sobre o alimento. Por isto é muito importante observarmos
a oração e o partir do pão. Ordem na igreja. Ordem no sentido de solenidade ou
seja de ação dentro de uma norma respeitosa.
Corpo: O pão representa no
sentido figurado o corpo que foi crucificado para a salvação do homem.
Dando
graças:
Ensina que devemos dar graças antes das refeições. Orar, principalmente porque
somos abençoados em termos o alimento na nossa mesa.
Sangue: No sentido muito
especial de ser o sangue derramado na cruz, e hoje no sentido figurado é o suco
da uva. Ao ser vertido na Cruz, este sangue torna-se expiatório. Ou seja, nós
fomos substituído na cruz, por Cristo Jesus.
Novo
Testamento:
As promessas advindas de Deus e que estão condicionadas à obediência. Esta nova
aliança foi prometida na antiguidade (Velho Testamento) e foi sancionada pelo
sacrifício de Cristo (Novo Testamento). Novo acordo.
Vemos assim que temos duas mensagens introjetadas,
interiorizadas na Ceia, que são: Uma Memorial e uma Profética.
Através da Mensagem Memorial lembramos que Jesus tornou-se em
sacrifício voluntário. Lembremos das palavras de Paulo: “anunciais a morte do Senhor”.
Por meio da mensagem Profética: Ficamos em alerta para a sua
volta. È antes de tudo, uma lembrança de que temos que estar SEMPRE
ALERTA. A vinda do Senhor está muito
próxima.
A respeito da Ceia do Senhor:
“É o rito
exterior no qual, a igreja reunida, come o pão e bebe o vinho, como sinal de
sua constante dependência daquele Salvador que uma vez foi crucificado e agora
está ressuscitado, como fonte de vida espiritual; ou, em outras palavras, em
sinal da permanente comunhão da morte e ressurreição de Cristo através da qual
se sustenta e se aperfeiçoa a vida começada na regeneração.” (Strong, 2003)
O rito exterior instituído deve ser observado pela Igreja
Universal, em caráter permanente até a vinda de Cristo. É por isto que dizemos
anteriormente que foi uma ordenança. Um imperativo. Deve assim continuar até a
sua vinda.
Ainda sobre os dois elementos Pão e Vinho. Quando vemos o
contexto próximo de Mateus 26:26, percebemos que o pão utilizado por Jesus, foi
o pão asmo da páscoa. “E, no primeiro dia da festa dos Pães Asmos,
chegaram os discípulos juntos de Jesus, dizendo: Onde queres que preparemos a
comida da Páscoa?” (Mateus 26:17)
Não encontramos doutrina (além da tradição Católico Romana) que
fale sobre a obrigação deste primeiro elemento ser a hóstia. Assim como não encontramos a receita deste
pão. Qualquer coisa neste sentido é heresia. Infelizmente, já tomei
conhecimento de dissensões por causa do pão ser comprado em padaria e não feito
em casa. Ora, sabemos que a correria deste mundo moderno, principalmente nos
grandes centros urbanos, impede muitas vezes de haver fornos nas casas.
“Os
huguenotes e os católicos romanos, entre os pioneiros de PARKMAN da França do
Novo Mundo, discutiam se o pão sacramental podia ser feito do cereal dos
índios. Mas o pão apenas simboliza o alimento. Na Groelândia usa-se peixe seco.
O pão simboliza apenas a vida de Cristo e o vinho, a sua morte.” (Strong, 2003)
Como deve ser o modo de administrar a Ceia do Senhor?
Sabemos que a Igreja Católica Romana limita a participação do
leigo no vinho. Lembro-me das cerimônias e das missas católicas que somente o
sacerdote participava do vinho.
Acreditamos que o juízo realizado sob a luz das Sagradas Escrituras não
é temerário. Por isto, faremos uma comparação entre o que o senso comum chama
de Bíblia dos Crentes e Bíblia dos católicos. Sabemos de antemão que a
diferença está no número de livros. Mas comparemos as versões:
“Enquanto
estavam comendo, Jesus pegou o pão e deu Graças a Deus. Depois partiu o pão e o
deu aos discípulos, dizendo:
__ Peguem
e comam; isto é o meu corpo.
Em
seguida, pegou o cálice de vinho e agradeceu a Deus. Depois passou o cálice aos
discípulos, dizendo:
__ Bebam
todos vocês porque isto é o meu sangue, que é derramado em favor de muitos para
o perdão dos pecados, o sangue que garante a aliança feita por Deus com o seu
povo.” (Mateus 26:26-28) (Bíblia Sagrada Nova Tradução na
Linguagem de Hoje, 2005)
Nas Bíblias lançadas por editoras católicas e autorizadas as
publicações por autoridades daquela igreja, não encontramos nenhuma ordenança
que fale a respeito da não participação do leigo no vinho.
“A igreja
Católica Romana não ministra o vinho aos leigos, apesar de que considera que
Cristo está presente em ambas as formas. Contudo Cristo diz “Bebei dele todos”
(Mt 26:27) Não ministrar o vinho a qualquer crente é desobediência a Cristo, e
entende-se mais facilmente que os leigos tem apenas uma cota dos benefícios da
morte de Cristo.” (Strong, 2003)
Temos que ter cuidado quando interpretamos as palavras de
Strong. Pela expressão “Qualquer Crente”, devemos entender aquele Crente que
está em comunhão com a Igreja, que foi batizado e faz parte de fato da igreja.
Infelizmente, temos notícias de que há igrejas que ministram a Ceia do Senhor
de forma indiscriminada a todos os presentes. Não importando quem seja, desde
que esteja presente na cerimônia. Neste sentido a Igreja Católica é mais rígida
do que determinadas igrejas que se dizem evangélicas. A eucaristia não deve ser
ministrada de forma aleatória. A ceia tem interiorizada um sentido espiritual tão
profundo que não deve ser banalizada.
“na igreja
Grega o pão e o vinho são misturados e administrados aos comungantes, não só
aos infantes, mas também aos adultos, com uma colher.” (Strong, 2003)
O sentido Espiritual da Santa Ceia é tão intenso, que deve ser
anunciada com antecedência, para que haja uma preparação conveniente para o
ato. Esta preparação espiritual, deve conter preferencialmente, mas não
obrigatoriamente um jejum. Obrigatoriamente, deve ser precedida de comunhão com
os irmãos. Pode ser que, devido a nossa natureza humana, carreguemos no coração
alguma mágoa contra um irmão da igreja. Contra um dirigente. Contra um familiar
ou colega de trabalho. Antes de participarmos da Ceia do Senhor devemos pedir perdão,
reconciliar.
“Deve o
pastor exortar os membros que tenham pendências na igreja, em casa ou em outro
setor de suas atividades, para que as resolvam. Evitar-se- á, assim, as longas
filas que se formam ao lado do púlpito para pedido de perdão.” (Bíblia Obreiro Aprovado: Sínteses, artigos,
liturgia, concordância, dicionários, Harpa Cristã., 2010)
Com relação a freqüência com que deve ser ministrada ou
celebrada a Ceia do Senhor, não há Doutrinas Bíblicas que regulam o
assunto. É perfeitamente aceitável que a
Igreja comemore Semanalmente, Mensalmente, Anualmente, Bimestralmente,
Semestralmente, Trimestralmente, Diariamente.
Mas será benéfico uma ceia diária?. Não haveria uma banalização
de algo tão sacro? Será que ela ainda conservaria a mesma sacralidade, sendo
tão freqüente?
Para estas questões não encontro respostas na Bíblia. E seria
tão leviano afirmar que tal ou tal freqüência, acarretaria isto ou aquilo. Não
encontramos nenhum preceito no Novo Testamento que fale de freqüência. Qualquer
crítica neste sentido, deve ser feita sob a ótica bíblica. Portanto, fica o
conselho aos novos convertidos, ao ouvir qualquer pessoa tecer críticas,
pergunte se este juízo está sendo feito á luz da Bíblia. Se não houver base na bíblia,
é algo infundado e em nada edifica.
“Nem o
preceito do Novo testamento nem o seu exemplo uniforme indicam a freqüência com
que a Ceia do Senhor deve ser administrada. Temos exemplos de sua observância
diária como semanal. Com respeito a isso, bem como respeito aos acessórios da ordenança,
a igreja deve exercer uma sadia discrição.” (Strong, 2003) (grifo nosso)
Na Igreja em que Congrego a Ceia do Senhor ocorre sempre o
Primeiro Sábado do mês. Nas congregações no segundo, no terceiro e assim
sucessivamente. Primeiro domingo, segundo domingo, etc. É uma oportunidade de
visitarmos as congregações, revermos os irmãos de outros bairros ou outras
cidades. Levarmos um pregador diferente dos oficiais da igreja. Enfim,
estreitarmos os laços de comunhão.
Vejamos Atos 2:46, a reunião no templo era diária,e partindo o
pão em casa, ou quem sabe nas casas de culto. Já em Atos 20:7, os discípulos
ajuntaram-se no primeiro dia da semana.
O sentido espiritual deve prevalecer independente da freqüência com
que a Ceia é ministrada.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Obreiro Aprovado: Sínteses, artigos, liturgia,
concordância, dicionários, Harpa Cristã. (2010). Rio de Janeiro: CPAD.
Bíblia Sagrada Nova
Tradução na Linguagem de Hoje.
(2005). São Paulo: Paulinas Editora.
CPAD. (2011). Bíblia
de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Rio de Janeiro/RJ: CPAD.
Strong, A. H. (2003). Teologia
Sistemática. São Paulo/SP: Hagnos.
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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