FUJA DA PROSTITUIÇÃO ESPIRITUAL: A DELICADA QUESTÃO DA IDOLATRIA
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FUJA DA PROSTITUIÇÃO
ESPIRITUAL: A DELICADA QUESTÃO DA
IDOLATRIA.
Jonas Dias de Souza[1]
FILHINHOS GUARDAI-VOS
DOS ÍDOLOS. AMÉM! (1 JOÃO 5:21)
Quando falamos em questão delicada, o
fazemos, considerando a questão cultural pela qual passamos. Na modernidade,
não falamos só de cultos à imagens como forma de idolatria. E não estamos
imunes a este pecado pelo fato de sermos crentes ou evangélicos como dizem
muitos. Idolatria é algo que fica difícil nominar nestes tempos de cantores
gospels, festivais de músicas evangélicas e outras coisas que inundaram o
arraial dos crentes.
A fronteira entre o sagrado e o
profano já não está tão perceptível aos estudiosos. Obviamente esta afirmação
não está levando em conta a Bíblia Sagrada. A palavra de Deus não deixa dúvidas
com esta questão. Tudo aquilo que usurpa a Glória de Deus é idolatria. No
êxodo, foi o bezerro de ouro, construído para ser adorado no lugar do Deus
verdadeiro. Posteriormente nos tempos de Jesus, a idolatria era a tradição e o
apego a lei, que impediu muita gente de reconhecer a cristo como Salvador.
Atualmente várias coisas estão
usurpando a Glória de Deus:
carro novo, redes sociais, cantores e cantoras gospels e até mesmo a concorrência para ver quem tem o templo mais bonito.
É isto mesmo, tal religião tem o
maior templo, o mais bonito, o mais fresco, o mais acarpetado e outros mais,
que colocam Deus em últimos planos.
A Bíblia ensina em várias passagens
sobre a idolatria. Algumas de forma clara e franca outras de forma sutil, mas é
possível vermos o alerta de Deus para seu povo de Gênesis a Apocalipse.
Quando lemos Êxodo, principalmente
no Capítulo 32, vemos que Israel deu um passo de retrocesso na obediência a
Deus. Enquanto Moisés estava no monte, recebendo as Tábuas da Lei, ouviu de
Deus a recomendação para voltar rápido para o arraial, pois se haviam trocado a
Glória de Deus pela glória de um bezerro de ouro. Podemos inferir que em parte
pela influência dos egípcios, o povo israelita estava acostumado ao panteão de
deuses. Precisavam de algo para ver com os olhos humanos e naturais. Com
certeza já haviam se esquecido da abertura miraculosa do Mar Vermelho.
Moisés
retorna acompanhado de Josué, e depara com os “alaridos de festa” e o povo numa
orgia de adoração ao ídolo bezerro.
Deus fala de sua ira. Mas Moisés o
lembra da promessa feita anteriormente de que aquele povo seria uma grade
nação. Inobstante a isto, Moisés conclama, os Levitas respondem e os idólatras
que possuíam uma marca de ouro na testa são passados ao fio da espada.
O que aprendemos?
Podemos
ser influenciados pela ausência de liderança forte. Bastou Moisés afastar-se
para que o Povo fizesse uma burrada.
E
ainda, não podemos depositar nossa confiança na liderança, mas em Deus. Este
sim, não nos abandona.
A
liderança não falava a mesma língua. Se Arão coadunasse seu pensamento com o de
Moisés não faria o bezerro de ouro. Mas, com medo, realizou o desejo do povo e
cedeu diante da pressão popular. Isto acontece ainda hoje. Com o pretexto de
cativar os jovens, temos tomado
conhecimento de movimentos nada ortodoxos em igrejas.
Devemos fugir da prostituição espiritual.
A idolatria nada mais é que uma forma de prostituição. Ao idólatra é reservado
refletir a glória vazia do ídolo.
O escritor americano G.K. Beale faz
uma análise em sua obra “Você se torna aquilo que adora”, que vale a pena ser
lida por um Cristão interessado em conhecer o assunto. Encontramos referências
a questão da idolatria em vários livros da bíblia. Para G. K. Beale “O casamento entre um homem e uma mulher era
apenas um indicador da relação matrimonial do fim dos tempos.” (Beale,
2014)
Esta
relação matrimonial ocorrerá entre a Noiva (igreja) e o Cordeiro (Jesus).
Quando uma noiva torna-se esposa ela assume o nome do marido. Mas desde o tempo
de noivado deve manter uma conduta ilibada. Isto se aplica ao Povo de Deus. O
povo que está voltado para as coisas mundanas refletirão a glória dos ídolos.
É por isto que ao trocar a Glória de
Deus pela glória do mundo, o homem está entrando numa espécie de prostituição
espiritual. Os rituais dos deuses pagãos
incluíam em sua maioria a prostituição cultual, ou seja, havia templos em que o
encontro sexual com prostitutas ditas sagradas era incentivado.
Israel
oscilava entre o verdadeiro Deus e os deuses pagãos. E isto não é privilégio
daquela nação, temos que orar e vigiar muito, para que os ídolos modernos não
venham a ocupar a posição que é destinada a Deus.
A adoração aos ídolos incluía:
Prostituição e sacrifícios de crianças.
Segundo o dicionário Vine:
IDOLATRIA: eidololatria ou eidololatreia,
(...), de onde em português, “idolatria" (formado de eidolon,
“idolo”, veja IDOLO, e latreia, “serviço”), e encontrado em 1 Co 10.14;
Gl 5.20; Cl 3.5; e, no plural, em 1 Pc 4.3.1 Os sacrifícios pagãos eram
oferecidos a demônios (1 Co 10.19); havia uma terrível realidade no cálice e na
mesa dos demônios e na comunhão
envolvida com demônios. Em Rm 1.22-25. a “ idolatria" (o pecado da mente
contra Deus, E f 2.3) e a imoralidade (os pecados da carne), são associadas e traçadas
a falta de conhecimento de Deus e de gratidão para com Ele. Um “ idolatra"
e um escravo de idéias depravadas que os seus ídolos representam (Gl 4.8,9); e,
desse modo, de varias concupiscências (Tt 3.3). (Veja Notes on Thessalonians.
de Hogg e Vine. p. 44.) (Vine p.698)
A idolatria não é somente associada
à religião cultual, mas atinge diretamente a vida do idólatra.
Por mais que seja doloroso é preciso
reconhecer que a idolatria está no “arraial dos crentes”. Não podemos ser cegos
e não admitir. Recentemente tivemos a inauguração no Brasil de um templo que
pretende (segundo alguns) rivalizar com outro local famoso de peregrinação. O
que mais espanta, é as invencionices de adotar práticas veterotestamentárias a
pretexto de uma adoração verdadeira, como a inclusão de mantos e candelabros
como elementos do culto. A denominada Teologia da Prosperidade é em sua
essência idólatra. Quando se substitui a mensagem da cruz e da redenção, por
uma máxima de prosperidade financeira, o que temos? A idolatria que coloca Deus
a serviço do homem.
Recentemente, assisti a um vídeo,
onde um pastor dá ordens para Deus para reter um demônio no corpo de uma mulher,
pois queria entrevistá-lo. Isto não aconteceu em outros arraiais, mas no
arraial dos crentes.
“Muitas
igrejas de hoje são voltadas para o mercado e tentam satisfazer os desejos
consumidores de autossatisfação idólatra.” (Beale, 2014)
E
de fato, só vemos compromisso financeiro. Numa espécie de extorsão divina.
Estão colocando Deus de encontro a parede com pregações que falam somente de
crescimento material. Raras são as pregações que condenam o pecado. Raríssimas
são as pregações que falam que: Jesus salva, liberta, cura, Batiza com o
Espírito Santo e leva para o céu.
Paulo exortou aos crentes que não se
afastassem de Deus. Isto não significa nos transformarmos em ermitões e saímos
da sociedade. Mas aqueles que se dizem crentes e continuam coadunando com os
pecados à sua volta, sob o pretexto de não desagradar, deve ser evitado.
É muito fácil vermos a idolatria em
sua forma crua, como a adoração de ídolos palpáveis. Mas aquela idolatria
sutil, que penetra “com sapatinhos de algodão” na nossa vida, é mais difícil de
ser notada. O que coloca luz neste caso é o Espírito Santo. Um exemplo de
idolatria sutil: O horóscopo do jornal cotidiano. Outro exemplo: A astrologia.
Que diferença há entre o Israel
antigo e a igreja moderna, se há contato com estas formas sutis de adivinhação?
Vejamos um ensinamento de Paulo em
Colossenses: “ Mortificai pois os vossos
membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado,
a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria; (Cl 3:5)
Jesus
alertou para o fato da impossibilidade de servir a dois senhores. Ou amamos a
Deus ou a Mamom. Não há como sermos servos de dois. A igreja que utiliza dos artifícios de “dar
rosa consagrada, sal bento, azeite santo, e até vassoura benta”, está na
idolatria. Não há outra desculpa.
Amuleto
é idolatria.
Amuleto
e Talismã, segundo Houaiss:
objeto, fórmula escrita ou
figura (medalha, figa etc.) que alguém guarda consigo e a que se atribuem
virtudes sobrenaturais de defesa contra desgraças, doenças, feitiços,
malefícios etc.
A Bíblia não ensina o uso de Talismãs em
nenhuma passagem.
Talismã:
substantivo masculino
1 objeto a que seu portador atribui o poder
mágico de realizar os seus desejos
2 Derivação: por metáfora.
efeito
desse poder mágico; encantamento
3 Derivação: por extensão de sentido.
tudo
que produz um efeito súbito e fantástico
Há igrejas que vendem objetos ditos consagrados, e isto é idolatria.
Isto é Prostituição Espiritual. Isto é invalidar o sacrifício que Cristo
realizou na Cruz para que nos tornássemos filhos de Deus por adoção.
Quando passamos da morte para a vida, precisamos deixar de voltar aos
velhos hábitos da idolatria. Que diferença há entre o Pagão que carrega um pé
de coelho e o “crente” que leva um saquinho de sal da igreja para casa?
Vale lembrar a diferença entre a idolatria e o cristianismo ensinada
pelo profeta Habacuque: “Então passarão
como vento, e pisarão, e se farão culpados, atribuindo este poder ao seu deus.”
(Hc 1:11)
Obras Citadas
Beale, G. (2014). Você
se Torna Aquilo que Adora. (1ª edição ed.). (M. Throup, Trad.) São Paulo,
Brasil: Vida Nova.
Bíblia de Estudo
Aplicação Pessoal. (2003). São Paulo.
[1] Servo de
Deus. Congrega na Assembleia de Deus (Missões) na cidade de São João Del-Rei/MG.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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