O que é o outro para você?
O que é o outro para você?
Jonas Dias de Souza1
Que vivemos num mundo onde a preocupação
principal “é o nosso umbigo”, é fato alardeado por muita gente.
Contudo, quando pensamos de forma cristã sobre qual o nosso papel
neste mundo, vemos que ser sal da terra e luz do mundo inclui uma
preocupação fundamental com o outro.
O filósofo francês Sartre afirmou que o inferno
são os outros. Já Ortega y Gasset afirmou que eu sou eu e minhas
circunstâncias, o que inclui o outro que nos cerca.
O outro é para nós: o colega de trabalho; o
vizinho; o irmão de sangue e em Cristo. O outro é o Samaritano
caído no caminho e que sequer conhecemos.
É neste contexto que o crente em Cristo Jesus deve
ser rápido para ouvir e vagaroso para falar, conforme nos ensinou
Tiago, o meio irmão de Jesus. Ouvir é um dom. E quem pensa que não
tem este dom pode pedir a Deus em oração. Mas se pedirmos
sabedoria, aquela sabedoria que vem do alto, a capacidade de ouvir
virá junto.
Será que basta ouvir? Se ouvirmos o outro relatar
seus problemas e não tivermos uma palavra de consolo baseada na
Palavra de Deus, será o mesmo que não ouvi-lo falar.
Um grande erro da modernidade é conversarmos diante
da televisão, do celular ou do computador. Não prestamos atenção
ao que o outro fala.
Rápido para ouvir e vagaroso para falar. Uma forma
de Deus semear a nova vida em nós é através de sua palavra, e a
forma de propagarmos o reino de Deus é falando de sua palavra, das
Boas Novas que é o Evangelho.
Na maioria das vezes, estamos tão preocupados com
nosso umbigo que esquecemos de ouvir o outro. O profeta Isaías
escreveu o seguinte: “Todos nós andávamos desgarrados como
ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair
sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Isaías 53:6) Andar
desgarrado é andar ocupado consigo mesmo. Há quem diga que a ovelha
sai pastando tão distraída que se perde do rebanho. Assim é com o
crente que não tira um tempo para ouvir seu irmão (seu outro).
Devemos saber também que nem sempre teremos oportunidade de
testemunhar para o outro, mas quem sabe dar uma orientação que
sabemos. Imagine uma pessoa que não sabe que o Estado mantém um
serviço de Defensoria Pública. Podemos orientar esta pessoa, dizer
onde fica o serviço, qual documento é necessário levar. Enfim
compartilhar o conhecimento secular que obtivemos para ajudar o
outro.
Mas o vagaroso para falar compreende que enquanto
estamos ouvindo o outro, estamos orando a Deus para que Ele nos
ilumine sobre o que falar por intermédio do Espírito Santo.
Respostas irrefletidas pode levar o outro a sentir que nem sequer
importamos com seus problemas. Um bom exemplo disto, são os
comentários que fazem na rapidez com que são executadas as
consultas no SUS. Além de receber um receituário, o outro que ser
ouvido. Aprendamos com o apóstolo Pedro: “ Antes, santificai ao
SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para
responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da
esperança que há em vós,” (1 Pedro 3:15)
Já pensou que a reclamação do outro no dia a dia
pode ser um pedido velado de socorro. Movido pela serenidade que
temos como Servos do Deus altíssimo, nosso colega de trabalho fala
de seus problemas na esperança de que ouvirá uma palavra de alento
e consolo oriunda de nosso viver Cristão. Paulo também ensinou: “A
vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que
saibais como vos convém responder a cada um.” (Colossenses 4:6)
Não podemos ser como aqueles discos de vinil
antigos que agarravam e ficavam repetindo interminavelmente trechos
que se tornavam cansativos. Por mais que o outro ao repetir seus
problemas pareça com estes discos, o Cristão deve exercitar a
paciência ao ouvir. Enquanto ouve, como já dissemos, mantém um
diálogo com Deus perguntando se a resposta é a mais adequada. Se a
forma de pensar está correta. Ser vagaroso para falar implica em
estar diretamente debaixo da Palavra de Deus. Assim como tem sentido
o diálogo em torno da Palavra de Deus. Quando lemos a palavra de
Deus através do profeta Jeremias, vemos que: “Assim direis, cada
um ao seu próximo, e cada um ao seu irmão: Que respondeu o SENHOR?
E que falou o SENHOR?” (Jeremias 23:35)
Advém daí a conclusão que a expressão
“Aconselhamento Pastoral” não é exclusividade daqueles cristãos
que estão no cargo de pastor. Mas cabe a cada Cristão em particular
ouvir e aconselhar seu próximo (o outro).
É mais que necessário, é imperativo fazermos uma
profunda reflexão sobre as palavras de Tiago. “Portanto, meus
amados irmãos, todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar,
tardio para se irar.” (Tiago1:19)
1Servo
de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São
João del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de
Teologia da EETAD.

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