O QUE É SER EVANGÉLICO?
O QUE É SER EVANGÉLICO?
Jonas Dias de Souza[1]
Severas discussões ocorrem sobre o termo “Evangélico”, e a
reflexão necessária é: O que é ser evangélico? Sabemos que na essência, este
termo é muito contestado. Para o senso
comum, evangélico é aquele que não pertence à Igreja Católica, seja a apostólica
romana ou outras ramificações, como a ortodoxa oriental.
Temos
presenciado, contudo, uma mistura de elementos do culto afro brasileiro em
alguns cultos tidos como evangélicos. Isto nos impõe uma ida além da mera
reflexão, uma tomada de posição de defesa do que podemos chamar evangélico.
Sabemos que a raiz do adjetivo evangélico, vem de uma palavra grega que implica ou designa a notícia tida como “Boa
mensagem” ou “Boa Nova”. Esta notícia é a da ressurreição, com ensinamentos do
Cristo. A mensagem apostólica que é
noticiada com o auxílio imprescindível de Deus mediante a Fé, e que na verdade
é a Salvação plena em Jesus Cristo (Graça pela Graça) é o evangelho. Reside nesta
constatação a premente necessidade de termos pregações exclusivamente
cristocêntricas. O adjetivo assume mais do que o significado genérico de
cristão segundo a deturpação da inteligência comum. Esta reflexão mais
aprofundada, nos leva a perceber que a vivência do cristianismo evangélico é
centrada no próprio evangelho e não mais na lei. Não somos capazes de enquanto
homens vivermos segundo a lei, porque quem tropeça em um item tropeça em todos.
O que nos redime é a Graça redentora de Cristo Jesus, propiciada pela sua morte
na Cruz. O apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos afirma e ensina que, “ todos
pecaram e destituídos estão da Glória de Deus” e continua ensinando que
fomos
justificados de Graça pela redenção existente em Jesus Cristo.
O
evangélico crê que Cristo Jesus é o único redentor e intermediário entre o
homem e Deus. Lemos no Evangelho de
João, o seguinte “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deus o seu filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. A
justificação livra tanto da condenação eterna, quanto nos deixa em Paz com
Deus. Quando nos perguntamos: O que é ser evangélico? Estamos indo muito além
das placas denominacionais. Ser evangélico, é mais que ser protestante.
Sentimos uma dificuldade enorme de relacionamento inter-denominacionais. Salvos
algumas exceções , temos arraiais fechados: Os batistas, os assembleianos, os
metodistas, os presbiterianos, os quadrangulares, e segue a relação. A reflexão
sobre a vivência evangélica, nos leva a concordar com o Pastor Roger Olson,
quando afirma: “os evangélicos
destacam-se de outros cristãos pela ênfase na importância do “relacionamento
pessoal com Jesus Cristo” pela experiência de conversão (arrependimento, fé e
vida diária no discipulado de Cristo), envolvendo oração, leitura da Bíblia e
busca da ajuda de Deus para imitar o salvador”. Será esta de fato a visão que o mundo tem dos
evangélicos? Com pastores entrando em chiqueiros, cisternas e vendendo amuletos
a pretexto de pregação.
Percebe-se
que não nascemos evangélicos, convertemo-nos ao evangelho quando vamos além de
aceitar a Cristo. Recentemente, ouvi em duas prédicas (em diferentes
denominações) que aceitar a Cristo é fácil. Verdade puríssima, aceitar a Cristo
qualquer um pode fazer. O problema está no fato de permitir que Cristo nos faça
viver o Evangelho. Isto requer uma vida de oração e consagração. Orar não é
tarefa fácil. Quando nos posicionamos de joelhos para orar, batalhas são
travadas no âmbito espiritual, e no físico também. Assistimos confortavelmente
a um filme de três horas, e não conseguimos orar por cinco minutos. Lembramos
que um guerreiro pode ser formado, assim como um evangélico pode ser forjado,
na forja do Espírito Santo de Deus. Custa-nos reconhecer que o poder que o pecado
exercia sobre a nossa foi destituído na Cruz. Há um ditado popular que diz que “Deus
não escolhe os capacitados, mas, capacita os escolhidos”. Concordamos em parte com esta afirmação. A
oração e a consagração, a busca por uma vida santificada, nos coloca próximo
aos olhos de Deus. Então neste sentido, Deus escolhe os capacitados. Neste
contexto de lutas espirituais é que se afirma que é possível aceitar a Cristo e
não viver como Cristo. Viver como Cristo é ser dependente do Espírito Santo de
Deus, pela Graça do Espírito percebemos que a Graça já não permite que vivamos no
pecado, pelo contrário, somos livrados do poder do pecado.
Quando
dizemos que nos convertemos ao evangelho, passamos pela aceitação a Cristo,
seguida de uma vida de comunhão e santificação. Trocamos de família. Saímos da
paternidade adâmica, com sua herança ruim, para a paternidade de Cristo.
Isto só é possível mediante a adoção.
Enquanto éramos filhos de Adão, tínhamos como herança: ruína, pecado, morte,
separação de Deus, desobediência, punição e lei. Agora, como herdeiros de
Cristo: Salvação, Justiça, Vida eterna, relacionamento com Deus, obediência,
libertação, Graça.
O
que é ser evangélico? A reflexão nos faz avançar além do modismo. Atualmente a
moda é ser “gospel” (palavra inglesa correspondente a evangélico). Gospel
isto... gospel aquilo...gospel aquilo outro. Vivemos, comemos, respiramos,
vestimos a “gospelidade” latente e midiática. Reproduz-se nos púlpitos os
jargões teológicos que arrancam (através do emocionalismo) expressões
desprovidas de autêntica razão cristã. No meio musical a “nossa vitória tem
sabor de mel”, mas nos esquecemos com facilidade que a vingança pertence ao
Senhor. Percebe-se nos programas de
televisão direcionados aos “evangélicos” um “fast-food” teológico. O resultado
são ovelhas obesas de uma pseudo-teologia e caquéticas do autêntico evangelho.
Nossas ovelhas estão com aparência saudável mas estão morrendo de caquexia
cristã. A caquexia bíblica deriva da
ausência de Escolas Bíblicas Dominicais sérias Cultos de Ensino. A proliferação
de cultos destinados à prosperidade com mega eventos e verdadeiros shows, tem
contaminado o povo evangélico e o transformado em povo gospel. O Evangelho
verdadeiro, é biblicista, conversionista e tem em Jesus a figura central da
vivência. É muito difundida a frase “Eu sou a Universal”, numa demonstração de
que a denominação assumiu a primazia em relação ao Evangelho. Como levar adiante a pregação de João 3.16? A
vida atual é miserável, cheia de dificuldade. E alie-se a isto a expropriação
ou apropriação indébita de pastores saudáveis que escolhem levar uma vida
nababesca às custas de suas ovelhas. A
corrida atrás das bênçãos leva á facilidade de entrada no estelionato
denominacional. Por isto é fácil enriquecer vendendo para as ovelhas caquéticas
do evangelho autêntico, a “terra abençoada de Israel”, “ a fronha de Paulo”, “O
cimento milagroso de Jericó”, e o “xixi do anjo Gabriel”. O estelionato evangélico permite até “trocar
de anjo”. O que dizer então dos cultos de cura e libertação que acontece
somente em determinados dias da semana. A respeito deste assunto veja o
artigo: A última semana de Roberto em busca de Cristo. O que existe de Boas
Novas no mercado gospel? A piscina do bispo que foi construída com a venda do
lenço suado acrescentou uma ilusão na
vida da ovelha perdida que atendeu à voz do falso pastor. É possível a existência de um evangelho sem
cruz? A resposta pode ser sim ou não. Dependerá de qual conceito aceitarmos ou
como conceituamos a cruz. Ao dizermos que ser cristão evangélico é passarmos
por uma série de lutas contra o pecado, por uma série de dificuldades e
dissabores nesta vida, como obrigação por sermos cristãos, estamos contrariando
a teologia da prosperidade. Mas estamos errados. A prosperidade não é pecado. O
equívoco está em procurar uma prosperidade ás custas do altar. Deus não pode
ser colocado contra a perede, sem nós Ele continua sendo Deus. E o contrário? O
“evangélico” que compra a “ fronha de Paulo” para ter uma noite repousante, ou
beija os pés da bispa, está compactuando com doutrina anti-bíblica. Quando
perceber que o “óleo abençoado pelos 320 pastores” não passa de um engodo
financeiro, jogará a culpa no cristianismo. Quando, ao contrário, se coloca na
e sob a proteção do verdadeiro pastor que é Cristo, não haverá necessidade
destes amuletos de idolatria. Colocar a prosperidade financeira diante e em primazia com relação à salvação, é não
se dar conta do que João escreveu: “ Na verdade, na verdade vos digo que quem
ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não
entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”
A essência do evangélico verdadeiro é que ele passou da
morte para a vida. Embora precise passar por esta vida física, não pode
permitir ser expropriado pela ganância dos falsos pastores que abusam da falta
de conhecimento de suas ovelhas. Mantenham o rebanho ignorante e enriqueçam às
suas custas, pensam alguns. Boa notícia
tem a ver com Nova Vida. “Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é:
as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Após a genuína
conversão, passamos a ter experiência da ação de Deus em nossas vidas cotidianas,
podemos dizer, somos evangélicos.
E aí?
O que é ser evangélico?


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