O QUE SÃO AS CIDADES DE REFÚGIO DO ANTIGO TESTAMENTO?
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| Cidades de Refúgio |
O QUE SÃO AS CIDADES DE REFÚGIO DO
ANTIGO TESTAMENTO?
Jonas Dias de Souza[1]
“Todavia, se
alguém ferir a outrem com instrumento de ferro, e este morrer, é homicida; o
homicida será morto.” (Números 35:16)
Imagine
dois homens trabalhando no campo. Um deles se prepara para dar um golpe com o
machado em uma árvore. Ocorre que o machado se solta do cabo e atinge a fronte
do companheiro. Mas não houve nenhuma intenção por parte do homem que provocou
o infeliz assassinato. Imagine também uma cultura que prevê como forma de
punição a máxima do “olho por olho, dente por dente”. Agora imagine uma cidade
onde seus dirigentes são uma classe especial de pessoas e que conhecem a lei daquela
cultura mais do que todas as outras. E que compreendem e aceitam este homicida,
e ali ele encontra segurança, ficando livre de possíveis vingadores do homem
que morreu. Provada a sua inocência com relação a um dolo, ele pode viver em
segurança.
“Assim, aquele que entrar com o seu
próximo no bosque, para cortar lenha, e, manejando com impulso o machado para
cortar a árvore, o ferro saltar do cabo e atingir seu próximo, e este morrer, o
tal se acolherá em uma destas cidades e viverá;” (Deuteronômio 19: 5-6)
Quando lemos o versículo
anterior, vemos que
o núcleo é “aborrecia”, ou seja, a chave do homicídio deliberado é a figura da premeditação, o planejamento, a vontade explícita de fazer mal ao próximo. Os ensinamentos de Jesus nos mostrou de forma clara que a chave que quebra o mandamento “Não Matarás”, é o ódio. Estes desejos de morte, ou desejos mórbidos com relação ao semelhante, tem sido alvo de estudos pela psicologia. Mas não é este o assunto principal das cidades refúgio. Estas visavam o crime por acidente, sem causa de premeditação ou planejamento.
o núcleo é “aborrecia”, ou seja, a chave do homicídio deliberado é a figura da premeditação, o planejamento, a vontade explícita de fazer mal ao próximo. Os ensinamentos de Jesus nos mostrou de forma clara que a chave que quebra o mandamento “Não Matarás”, é o ódio. Estes desejos de morte, ou desejos mórbidos com relação ao semelhante, tem sido alvo de estudos pela psicologia. Mas não é este o assunto principal das cidades refúgio. Estas visavam o crime por acidente, sem causa de premeditação ou planejamento.
Foi
pensando nisto que Deus instruiu seu povo a separar cidades para proteção deste
tipo de criminosos. E mais ainda, em sua infinita bondade, colocou as cidades
de forma tal, que em qualquer direção o fugitivo encontraria uma cidade destas.
Estamos falando das cidades de refúgio. Cidades separadas para receber os
criminosos que praticaram o ato sem a intenção. A preocupação com a segurança do fugitivo
incluía até a manutenção das boas condições que chegavam a estas cidades.
“Preparar - te ás o caminho e os limites
da tua terra que te farás possuir o SENHOR, teu Deus, dividirás em três, e isto
será para que se acolha nela todo homicida.” (Deuteronômio 19:3)
O
Pentateuco é a denominação dos cinco primeiros livros da Bíblia, dos quais
Números é o quarto. Não é um conjunto de livros de fácil leitura. Normalmente
lemos com facilidade os demais livros que formam a Bíblia, mas, os livros que
cuidam de leis e recenseamentos não são para qualquer leitor. No entanto, mesmo
neste conjunto (até em Números), vemos a presença de Deus de forma marcante.
O
assunto que nos leva a escrever agora são as “CIDADES REFÚGIOS” listadas em alguns livros do Pentateuco.
Temos seis cidades refúgios, cuja versão dos nomes para a língua portuguesa
mostra bem o amor de Deus, a saber:
ñ QUEDES, Santuário, Lugar Santo.
ñ GOLÃ, Separado, Cativo
ñ RAMOTE, Alturas
ñ SIQUÉM, Ombro
ñ BEZER , Forte, Fortaleza.
ñ HEBROM. Comunhão, Aliança.
Mas
afinal para que serviam as cidades?
Como
sabemos a questão do sangue na bíblia é assunto de extrema importância. O
derramamento de sangue por via criminosa era punido de forma semelhante.
Contudo havia casos em que o assassinato acontecia por vias não
intencionais. O que no nosso ordenamento
jurídico atual chamamos de Homicídio Culposo, ou seja, aquele em que não há
intenção de matar. Por exemplo um acidente de trabalho. Nestes casos, o
derramador de sangue possuía um mecanismo de proteção que eram as cidades
refúgios.
A
origem das cidades está na designação de Moisés. Designação esta que ocorreu
mediante a ordem de Deus, conforme vemos em Números 35. Três situavam-se ao
Leste do Rio Jordão. Sendo BEZER a primeira e pertencente a tribo de Rubem.
Situava-se na extremidade do Mar Morto. A segunda, para a tribo de Gade era a
cidade de RAMOTE, que situava-se em Gileade, ficava nas proximidades da parte
oriental do território ocupado por Israel. A terceira era Golã, que ficava no
território de Manassés, mais ao norte.
Quando
os Israelitas cruzaram para o lado Oeste do rio Jordão. Foi a vez de Josué
designar mais três cidades de refúgio: HEBROM ao sul do território de Judá.
SIQUÉM nas montanhas de Efraim, e por fim QUEDES no território de Naftali.
Esta
última foi conhecida mais tarde com a região da Galiléia.
O
que havia de comum nestas cidades é que todas eram Levitas, sendo HEBRON a cidade sacerdotal. Para bem entender,
devemos ler principalmente Números 35 e Josué 20. E ainda Deuteronômio 4 e 19.
A
respeito dos Levitas sabemos que, além de pertencerem a tribo de Levi,
obviamente, eram separados para o serviço sacerdotal. Estas pessoas eram as
ideais para a manutenção de uma justiça que exigia ouvir versões diferentes e conflitantes.
A idéia de espalhar os Levitas era para que estes ensinassem as Leis para todo
o povo.
Interessante
notar que as penas não eram eternas ou perpétuas. O fugitivo poderia retornar
às suas terras assim que morresse o Sumo sacerdote que o abrigara. A figura do
sacerdote era uma forma de marcar o tempo (o início de uma nova época) naquela
cultura. E a proteção era dentro dos muros da cidade de refúgio. Atualmente,
dispomos de uma cidade de refúgio que é onipresente, na pessoa de Cristo Jesus.
Ele reúne todas as qualidades das seis cidades e prometeu nos levar para a
Jerusalém Celestial que a cidade para a qual almejamos seguir.
Cristo
declarou esta vontade de ser o nosso refúgio por diversas vezes, uma destas
vezes é encontrada em Lucas 13:34 : “Jerusalém,
Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes
quis eu ajuntar os teus filhos, como a
galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quisestes?”
Encontramos um contraste entre o refúgio propiciado pelas
cidades e o refúgio propiciado por Cristo Jesus. Enquanto era necessário correr
para o primeiro, para o refúgio de Cristo não é necessário corrermos, pois Ele
está nos oferecendo o abrigo. Quando a galinha abre as asas seus filhotes
correm para debaixo para se protegerem. Por isto basta apenas aceitarmos a
proteção oferecida por Cristo que com o sacrifício na Cruz, pavimentou o
caminho para a cidade de refúgio-mor e eterna que a Jerusalém Celestial.
Quando
aceitamos a Cristo nós colocamo-nos debaixo de sua Glória (Shekiná). Jesus
mostrou que Ele era e ainda é o arauto do reino de Deus, e como tal tem plenos
poderes para nos dar refúgio.
A
idéia veterotestamentária das cidades refúgios demonstra o cuidado que Deus tem
com seu povo. Cuidado tão zeloso que deu o seu filho unigênito para morrer em
nosso lugar e assim podermos encontrar um refúgio eterno.

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