O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA: A NECESSIDADE DE UM RETORNO ÀS ESCRITURAS.
O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA:
A NECESSIDADE DE UM RETORNO ÀS ESCRITURAS.
Jonas Dias de Souza[1]
Não é novidade dizermos que a Páscoa não se
resume a chocolates em forma de ovos de coelho, o que por si só é um disparate,
pois coelhos são mamíferos. Mas a mentalidade capitalista impõe uma investida
de aumento do consumo e são não damos os chocolates somos politicamente
incorretos. Eu particularmente, penso
que chocolate deve ser uma iguaria que se consome com páscoa, sem páscoa,
assumo com isto a minha vontade por este tipo de caloria. Descontração à parte,
temos que criar uma reflexão aprofundada sobre o sentido da Páscoa enquanto
cristãos. Para lembrar, nesta época do ano (segundo a historiografia quase oficial)
é que Pedro Álvares Cabral avistou a primeira porção de terra de nosso Brasil,
chamando-a de Monte Pascoal.
O que a Páscoa? Segundo o Dicionário
Bíblico
de Almeida: “Festa em que os
Israelitas comemoram a libertação dos seus antepassados da libertação no Egito”.
A data desta festa é tida como sendo o dia 14 de
Nisã , que no nosso calendário
corresponde ao dia 1 de Abril. Vemos aí
a astúcia do inimigo em dizer para a mentalidade coletiva de que este é o dia
da mentira. Isto mesmo. O dia primeiro de abril é mais conhecido como o dia da
mentira do que como a data da páscoa. Entupidos pelo chocolate (ou pelo menos
pela vontade) esquecemos de raciocinar, de refletir sobre o que a cultura nos
leva a aceitar como valores corretos.
Para descobrirmos a origem desta festa
cristã que sofreu ao longo do tempo a influência do paganismo (ovos, chocolate
e coelho), temos que recorrer ao Segundo livro da Bíblia Cristã, conhecido por
Êxodo. Este livro descreve a saída dos
Israelitas do Egito, após permanecerem escravos por longos séculos. Narra a
trajetória dos Israelitas libertos da escravidão egípcia. Alguns historiadores
situam a data cronológica em mais ou menos 1280 a.C, outros em 1440 a. C. Mas o
que não se discute é que a realização da libertação de Israel do jugo do Egito,
é obra do poder de Deus que utilizou a liderança de Moisés. Esta partida ou
viagem, ou ainda peregrinação chamada Êxodo é o fato mais importante da
história Israelita ao mostrar a transformação de um povo escravo em um povo
cheio da presença de Deus, com uma esperança no futuro que impactaria todas as
outras nações. Considerado por pessoas
não afeitas à leitura como um livro de difícil entendimento, o senso comum foi
criando um temos sobre este livro ao longo dos tempos, fato que pode ser
aplicado a quase todo Antigo Testamento. Mas isto não procede. A ausência de
hábitos salutares de leitura é que impede o acesso a esta história. Torna-se
mais cômodo aceitar a história do ovo de coelho feito de chocolate do que
enfrentar os Pães Asmos da verdadeira Páscoa.
Para facilitar a leitura de Êxodo
partiremos da divisão do livro comumente aceita em quatro partes, e ainda que Moisés (Tipo de Cristo) é a
figura central do livro, escolhido por Deus para dar liberdade aos cativos.
1)
A libertação do
povo cativo (1.1 até 15.21)
2)
A viagem até o
Monte Sinai (15.22 até 18.27)
3)
A Lei e a Aliança
(19 até 24)
4)
Sobre o
Tabernáculo e o Culto ( 25 até 40)
Encontramos
a comemoração da libertação do Egito tanto no Antigo, quanto no Novo
Testamento.
“Ora,
o Senhor falou a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este
mês será para vós o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do
ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Ao décimo
dia deste mês tomará cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um
cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena
demais para um cordeiro, tomá-lo-á juntamente com o vizinho mais próximo de sua
casa, conforme o número de almas; conforme ao comer de cada um, fareis a conta
para o cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem defeito,
macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras, e o
guardareis até o décimo quarto dia deste mês; e toda a assembléia da
congregação de Israel o matará à tardinha: Tomarão do sangue, e pô-lo-ão
em ambos os umbrais e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E
naquela noite comerão a carne assada ao fogo, com pães ázimos; com ervas
amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, mas sim
assado ao fogo; a sua cabeça com as suas pernas e com a sua fressura. Nada
dele deixareis até pela manhã; mas o que dele ficar até pela manhã,
queimá-lo-eis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos,
os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis
apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. Porque naquela noite
passarei pela terra do Egito, e ferirei todos os primogênitos na terra do
Egito, tanto dos homens como dos animais; e sobre todos os deuses do Egito
executarei juízos; eu sou o Senhor. Mas o sangue vos será por sinal
nas casas em que estiverdes; vendo eu o sangue, passarei por cima de vós, e não
haverá entre vós praga para vos destruir, quando eu ferir a terra do Egito. E
este dia vos será por memorial, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; através
das vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. Por sete
dias comereis pães ázimos; logo ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas
casas, porque qualquer que comer pão levedado, entre o primeiro e o sétimo dia,
esse será cortado de Israel. E ao primeiro dia haverá uma santa
convocação; também ao sétimo dia tereis uma santa convocação; neles não se fará
trabalho algum, senão o que diz respeito ao que cada um houver de comer;
somente isso poderá ser feito por vós. Guardareis, pois, a
festa dos pães ázimos, porque nesse mesmo dia tirei vossos exércitos da terra
do Egito; pelo que guardareis este dia através das vossas gerações por estatuto
perpétuo. No primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde,
comereis pães ázimos até vinte e um do mês à tarde. Por sete dias
não se ache fermento algum nas vossas casas; porque qualquer que comer pão
levedado, esse será cortado da congregação de Israel, tanto o peregrino como o
natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as
vossas habitações comereis pães ázimos.” (Êxodo 12.1 -20)
A
ordem era para a prontidão. Lombos cingidos, sapatos nos pés, cajado na mão e
comendo de pressa. Prontidão total para enfrentar as horas difíceis que aquela
saída envolveria. Toda mudança gera um desconforto, mesmo que momentâneo, a
nossa natureza nos impele à fixação em vez de nomadismo. Prova disto é que o
desenvolvimento da agricultura que propiciou este desenvolvimento social, exige
uma fixação na terra. A Páscoa é um estatuto perpétuo que Cristo cumpriu mais
de mil anos depois e que hoje, está sendo substituído gradativamente por ovos
de chocolate colocados por um coelho. Retirar
o fermento, é uma santificação ao serviço do Senhor. Ora, santificação
pressupõe algo asmo e não doce como o chocolate.
Continuando
a nossa leitura da Bíblia, vemos no Novo Testamento:
Ora,
no primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam a páscoa, disseram-lhe seus
discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a
páscoa? Enviou, pois, dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à
cidade, e vos sairá ao encontro um homem levando um cântaro de água; seguí-o; e,
onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar: Onde está o
meu aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? E
ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado e pronto; aí fazei-nos os
preparativos. Partindo, pois, os discípulos, foram à cidade, onde
acharam tudo como ele lhes dissera, e prepararam a páscoa. Ao
anoitecer chegou ele com os doze. E, quando estavam reclinados à mesa e
comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de
trair-me. Ao que eles começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe
um após outro: Porventura sou eu?
Respondeu-lhes:
É um dos doze, que mete comigo a mão no prato.
Pois
o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por
quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera
nascido.
Enquanto
comiam, Jesus tomou pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, dizendo: Tomai;
isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho; e
todos beberam dele. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do pacto,
que por muitos é derramado. Em verdade vos digo que não beberei mais do
fruto da videira, até aquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus. E,
tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras. Disse-lhes
então Jesus: Todos vós vos escandalizareis; porque escrito está: Ferirei o
pastor, e as ovelhas se dispersarão. (Marcos 14.12-27)
Este evento que Jesus propiciou para a
humanidade foi a libertação de todo o mundo do cativeiro do pecado. Outrora
destinados à destruição, agora fomos libertados pelo sangue que Cristo derramou
na Cruz para que fôssemos justificados. A Páscoa deve ser vista assim. Um momento de
refletirmos sobre a Paixão de Cristo. Sobre a sua morte e sobre a necessidade
de aceitarmos o que Ele fez por nós. O
apóstolo Paulo ensina que estávamos destinados a receber um salário pelos
nossos pecados, que é a morte. Porque não há uma que não tenha sido pecador.
Estávamos todos destituídos da Glória de Deus, até o momento em que o sangue de
Cristo nos torna branco com a mais pura lã, numa figura de linguagem.
Precisamos colocar o Cordeiro no lugar
do coelho. Restituir o verdadeiro sentido da comemoração Pascal neste século.
Fomos sendo tomados por uma venda coletiva de que o chocolate e o coelho
representa a Páscoa e vamos perdendo aos poucos o sentido verdadeiro de desejar
uma Feliz Páscoa. Aprendemos com o
apóstolo Paulo que devemos: “Expurgai o fermento velho, para que
sejais massa nova, assim como sois sem fermento.Porque Cristo, nossa páscoa, já
foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho,
nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade
e da verdade”. ( 1 Coríntios 5.7-8)
O que é ser uma massa nova? É procurar sermos
crentes sinceros em Cristo Jesus. Crentes que estando no mundo não se deixe
levar pela mentalidade coletiva do mundo. Gosto muito de chocolate, mas sei que
esta iguaria não toma o lugar do sangue.
Não podemos deixar o coelho tomar o lugar do cordeiro. O coelho é um símbolo pagão da deusa Ishtar
ou Astarte. E nestes anos vemos a introdução de um paganismo na cultura cristã
sem nos dar conta.
Que
possamos através da leitura da Bíblia ir nos libertando destes símbolos
impostos pela cultura de mercado e pelo paganismo. Devemos vigiar!
Abraço em Cristo!
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João
del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.
(divulgadordapalavra@gmail.com)

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