Passando pelo Ribeiro de Cedrom: A importância do Ministério da Oração.
Passando pelo Ribeiro
de Cedrom: A importância do Ministério da Oração.
Jonas Dias de Souza[1]
Desde
que me firmei na presença de Cristo e por conseqüência congregado, tenho
percebido a pouca presença de crentes nos cultos de oração. Festas e
Congressos, e cultos de domingos tem presença garantida, mas reuniões
destinadas à oração, são realizadas em sua grande maioria com poucas pessoas e
que, via de regra, são as mesmas.
Eu
mesmo por um tempo me afastei dos cultos de oração, portanto, esta reflexão,
antes de qualquer pessoa é destinada a mim mesmo. Quando escrevemos, também
escrevemos de forma a uma auto exortação.
Já
tivemos oportunidade de falar que a Bíblia é repleta de símbolos que visam a
ensinar uma lição de profundidade. O deserto
por exemplo, é um símbolo de lutas e provações. Quando deparamos na Bíblia com
o deserto, estamos vivenciando uma luta, um embate. Os perigos físicos e
espirituais são representados pelo deserto.
O deserto é o equivalente
ao
nosso sertão. Muito embora, o termo deve ser analisado a luz de uma natureza
rústica. O deserto é constituído de terras extensas e secas, com raríssimas
árvores e quase nada de vegetação rasteira ou capim. São habitantes naturais do
deserto os animais ferozes, além de cobras e escorpiões. Os ribeiros também tem profunda
significação bíblica, ribeiro é o que chamamos no bom vernáculo de córrego.
Assim como em nossa realidade os córregos recebem várias impurezas. Na bíblia
vimos um córrego que recebia impurezas. E que era conhecido como CEDROM.
“Escuro. É o nome de um ribeiro,cuja nascente está ao noroeste de
Jerusalém, e desliza para o oriente pelo lado setentrional até à distância de
2,5 km - depois dá uma volta apertada para o sul passando entre a cidade e o
monte das oliveiras - contrai-se, então, e desce rapidamente, sendo depois o
seu leito profundo estreito e escuro, pelo qual só correm águas durante as
grandes chuvas do inverno. Liga-se ao vale de Hinom em Bir-Ezube, 200 metros
abaixo do seu ponto de partida, e dai segue, tomando a direção do sueste, até
ao mar Morto. Foi atravessado por Davi, quando fugia de Absalão (2 Sm 15. 23) -
e por Jesus Cristo, no seu caminho para o monte das oliveiras e para o jardim
de Getsêmani (Jo 18.1). Nele se lançavam ídolos e outras impurezas (2 Rs
23.4,6, 12 - 2 Cr 29.16 - 30.14 - Jr 31.40). Hoje é vulgarmente conhecido por
vale de Josafá. A palavra Cedrom é, segundo alguns escritores,
o genitivo plural grego de cedro, significando ‘dos cedros’, e talvez seja
corrupção popular pela semelhança no som com a palavra hebraica Kidron
(escuro).”[2]
Isto posto vamos analisar
primeiramente passagem de Davi pelo Cedrom.
No livro de 2 Samuel, temos
descrito no capítulo 15 a descrição de uma rebelião contra Davi, perpretada por
seu filho Absalão. Este filho de Davi
era um político em sua essência pejorativa. Sua estratégia consistia em ficar
na porta da cidade cumprimentando as pessoas que buscavam a justiça do rei. Por
meios de tapinhas nas costas e barcos amigos, ia conquistando as pessoas,
ajudado por sua boa aparência. Contudo,
seu carisma não durou muito, ele revelou sua personalidade sendo um governante
cruel.
Instalada a rebelião, restou a
Davi fugir. “E toda a terra chorava a
grande vozes, passando todo o povo; também o rei passou o ribeiro de Cedrom, e
passou todo o povo na direção do caminho do deserto.” (2 Samuel 15:23)
Davi, embora seja descrito na
Bíblia como um homem segundo o coração de Deus, passou por altos e baixos. Como
nós, Crentes em Cristo, não estamos livre das dificuldades pelo simples fato de
sermos crentes. E assim como Davi, poderemos ser traídos por alguém de nossa
confiança. Eis aí a importância do Ministério da Oração. É através da oração
que poderemos sustentar e sermos sustentados durante as adversidades da vida.
Davi foi um homem que teve seus
altos e baixos. Nesta situação em que ele estava em baixa, alguns estudiosos da
Bíblia dizem que ele escreveu o Salmo 55. No mesmo capítulo de Samuel, vemos
Davi lançando mão da oração nas dificuldades.
“E subiu Davi pela subida das oliveiras, subindo e chorando, e com a
cabeça coberta; e caminhava com os pés descalços; e todo o povo que ia com ele
cobriam cada um a sua cabeça e subiam chorando sem cessar.” (2 Samuel 15:30)
Os altos e baixos da vida de um
Cristão podem ser por causa nossa culpa através do pecado e por culpa dos
outros que nos rodeiam. Na rebelião
contra Davi temos a traição de um amigo que guardou consigo uma vontade de
vingança por muitos anos. Esta vingança que Davi chamou para si, decorre de seu
pecado com Bate-Seba e do assassinato de Hurias. Foi traído por Aitofel que era
avô de bate-Seba, e para demonstrar o desprezo pelo rei, aconselhou Absalão a
deitar com as concubinas reais.
Ao vermos o Salmo 55, sentimos a
importância da oração nos momentos de angústia. Davi nos ensina que Deus
inclina para nos ouvir e não se fasta da nossa súplica. O salmo trás uma
certeza de que Deus de fato se inclina para ouvir a oração e súplica daquele
que clama por Ele na necessidade e angústia.
“Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração e não te escondas da
minha súplica. Atende-me e ouve-me; lamento-me e rujo, por causa do clamor do
inimigo e da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim iniqüidade e com furor me
aborrecem.” (Salmo 55: 1-3)
A situação de Davi não era fácil.
Mesmo sendo um grande guerreiro, ele enfrentava a traição de Aitofel, por causa
da situação anterior. E enfrentava a raiva de Absalão por causa de sua inércia
em punir Amnom pelo estupro de Tamar. Como dissemos mesmo sendo homem de Deus,
ele colheu algumas tempestades que plantara. O medo que ele sentia é
descrito: “Temor e tremor me sobrevêem; e o horror me cobriu.” (Sl 55:5)
O temor é além de um modo de
referência a Deus, é também medo. Neste mundo de hoje, há muitos medos que se
transformam em doenças da mente ou psicossomáticas, e cria-se um círculo com
o medo causado pelas doenças e doenças
causadas pelo medo. Neste sentido o círculo de oração é de fato as colunas que
sustentam a igreja de Deus. O ministério de Oração é por sinal um lugar onde
ninguém aparece. Não é realizado nos púlpitos, e nem sob os holofotes. Mas nas
madrugadas e com os joelhos no chão frio e duro de nossas vidas. Basta o crente
pensar em orar, que começa a batalha espiritual ao seu redor. Desde formas
simples de barulho até o cansaço físico. É por isto que a reunião de oração é
muito útil. Quando começamos a ficar cansados, literalmente vamos orando com a comunidade.
O silêncio da madrugada é
benéfico, neste sentido. É quando o mundo para. Os joelhos dobrados na
madrugada fazem do crente um guerreiro especializado. Já parou para pensar, o
quanto a Bíblia utiliza uma linguagem militar? É porque de fato estamos em
combate constante.
Orar produz mais efeito do que
escrever milhares de artigos em blogs, ou publicar uma dezena de livros. Mas
este prêmio só será recebido e percebido no final. Uma Igreja que não ora, é uma igreja fraca.
A importância de perseverar em
ORAÇÃO, está no exemplo de Daniel.
“Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um
dias , e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu
fiquei ali com os reis da Pérsia.” (Daniel 10:13)
A persistência de Daniel em se manter
no jejum e na oração, mostram que nossas respostas podem as vezes sendo
impedidas de chegar. Verifica-se que a oração é uma arma. E quando empregada na
batalha espiritual, mostra ser a arma mais poderosa.
Oremos a Deus para que pela ajuda
do Espírito Santo, possamos ser homens e mulheres de oração. Mas não basta
desejar, é preciso, partir para a ação. Que tal ir à próxima reunião de oração
de sua igreja?
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.
[2]
Disponível em: http://biblia.com.br/dicionario-biblico/c/cedrom/?s=cedrom
acesso 20/10/2014

Comentários
Postar um comentário