RELIGIÃO OU SEITA? QUAL O CRITÉRIO?
RELIGIÃO OU SEITA? QUAL O
CRITÉRIO?
Jonas Dias de Souza[1]
“Se,
porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os
outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado” (João 1:7)
Um leitor perguntou outro
dia, porque algumas denominações chamavam a sua religião de seita. Diante desta
questão, veremos a diferença fundamental entre Religião e Seita.
Não é um artigo sectário que
busca defender esta ou aquela igreja. Esta ou aquela denominação. Mas uma busca
por um esclarecimento.
O surgimento de heresias no
seio do povo cristão, está na vontade permissiva de Deus, como forma de separar
o joio do trigo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios mostra que as
divisões existem para que os crentes sinceros se manifestem. Lembremos que a
palavra sincero, remete-nos para algo que é sem cera, sem maquiagem. “E até importa que haja entre vós heresias,
para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” (1 Coríntios 11:19)
RELIGIÃO:
Quando procuramos no léxico o significado de
Religião vemos o seguinte:
1)
Crença na existência de princípio ou poder
superior, e, portanto sobrenatural, ao qual se deve respeito e obediência, e do
qual depende o destino do ser humano.
2)
A postura moral ou do intelecto derivada
desta crença.
3)
Um sistema de
doutrinas, de práticas
ritualísticas, características de um grupo social. Derivada de determinada
concepção da divindade e da relação entre esta e o homem.
4)
Um culto que é prestado à divindade e
possuidor de um sistema.
5)
A observância estrita de preceitos
religiosos, tais como piedade, devoção e intenso fervor.
6)
Pode ser ainda, uma prática ou doutrina
assemelhada a uma religião.
7)
Um dever do qual não se deve e não se pode
abrir mão. Um dever inelutável. Um conjunto de princípios morais e éticos.
Ao observarmos estes
princípios, vemos que nos enquadramos em quase todos. E grosso modo todos somos
de certa forma religiosos em algum momento de nossa vida. Faz parte da
humanidade intrínseca ao ser humano ser religioso. Podemos afirmar que assim
como, a sociabilidade é natural ao homem, a religiosidade também o é. Inclusive o ateu que defende seu ateísmo de
forma zelosa. Neste sentido ser ateu é a sua religião. Como a ciência é a
religião do cientista, e o direito deveria ser a religião do magistrado.
Ao procurarmos o significado
do vocábulo Seita, também no léxico, aprendemos que:
1)
É um partido ou Escola Filosófica, assim
considerada na era pré cristianismo.
2)
Doutrina que se afasta da crença ou da
opinião dominante em determinada sociedade.
3)
Grupo de separatistas (dissidentes) de um
ramo religioso principal, ou de uma comunhão principal.
4)
O nome que se aplica a uma teoria de um
mestre que tenha inúmeros seguidores.
5)
Dentro da sociologia a seita é uma sociedade
cujos membros se agregam de forma voluntária e ficam às margens da sociedade,
mantendo-se à parte do mundo.
Não sendo suficiente para
lançar luz sobre o assunto temos que aprofundar o conceito de Religião ou
Seita. Mas este aprofundar, implica em nos apropriarmos de algo que já foi
escrito, e que portanto pode ser que o autor tenha colocado nas linhas as suas
vivências culturais, que por sua vez podem ter sofrido outras influências. Ou
seja, podemos ver conceitos eivados de conceitos Pré-concebidos ou
Pré-conceitos ou preconceito.
O Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia
trata do verbete religião, como sendo uma “Instituição
Social caracterizada pela existência de uma comunidade de indivíduos unidos”. Esta afirmação isolada torna o futebol a maior
religião do mundo, e cada time uma denominação diferente. O que une esta
sociedade é a adoção de ritos regulares
e de formulas determinadas. Depois a crença num valor absoluto. Valor com o
qual nada se compara. A comunidade unida mantém o objeto desta crença. Até este
ponto podemos ver religião em tudo. Mas quando continuamos a ler, vemos o
seguinte: “pela relação do indivíduo com
um poder superior ao homem, poder concebido como quer como difuso, que como múltiplo, quer,
finalmente, como único, Deus.” (Lalande,
1999)
Ora, o Deus aqui citado pode
não ser um consenso entre as pessoas, portanto, defini-lo como critério para
dizer se determinado seguimento é uma religião, é algo complicado.
Ainda na esteira de Lalande,
vemos religião como: “Sistema individual
de sentimentos, de crenças e de ações habituais tendo Deus como objeto.” Esta palavra objeto pode ser algo sagrado ou
de escárnio, depende dos motivos do indivíduo. Chocante ou não, enquanto os
Cristãos adoram ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Os satanistas zombam
deste mesmo Deus. Coadunando com a sétima definição de religião, Lalande diz
que religião pode ser: “Respeito
escrupuloso de uma regra, de um costume, de um sentimento. “A religião da palavra
dada”. Acrescentando que este sentido é muito antigo e mais usual do que
hoje.
Em tempos de homens amantes
de si mesmo e néscios de entendimento, esta afirmação é de fato muito
verdadeira.
No mundo moderno, falar de
religião é algo extremamente complexo. Pois religião pressupõe um
sistema completo. O emprego do vocábulo sistema, por si só exige um
artigo à parte. Mas, reduzindo, a religião tem que ser algo completo. Neste sentido, a completude é encontrada no
Sistema denominado Cristão. O Cristianismo não exige sacrifícios do homem para
completar a obra redentora de Cristo. Ela foi completa e exclusiva. Foi
Suficiente para a redenção da humanidade. Basta ao homem pecador aceitar a
Graça do Sangue de Cristo que foi derramado na Cruz do Calvário.
O ato de escrever sobre
Deus, o ato de estudá-lo ou de fazer
Teologia é insuficiente para demonstrar aquilo que o homem espiritual
compreende através da Graça do Espírito Santo, o Consolador prometido por
Cristo. Ora, Deus deixa de ser o objeto para ser o Sujeito que dirige nossas
vidas e que recebe nossa devoção e adoração. O homem natural não compreenderá
jamais esta situação. Por outro lado, o homem espiritual entende isto. E não há
necessidade de comunicá-lo a outrem, senão pelo amor ao próximo e que nos faz
desejoso de que ele descubra o quanto é maravilhoso entrar na Graça e no gozo
do Senhor Cristo e assim chegar a Deus. Este Deus de que falo é o Deus que
criou o mundo e tudo que nele há. O GRANDE EU SOU.
Há quem veja a religião com
um sistema onde impera a solidariedade entre seus membros, no que concerne às
crenças. Por outro lado, as Seitas geralmente admitem que seus membros tenham
crenças diferentes. Aos religiosos cabe por causa de sua crença comum congregar
naquilo que se chama Igreja. Todos que aderem a tal ou tal religião, congregam
na Igreja daquela religião. Uma debruçada sobre a história ensina que, havendo
divergências entre membros ocorre a separação, dando nascimento a outras
igrejas com nomes variantes. Penso eu que assim surgem as denominações.
Para começo, é importante
definirmos o que vem a ser denominação. Seria um conjunto de igrejas filiadas a
uma convenção? Por exemplo, existem
igrejas Assembleias de Deus que são filiadas a Convenção Geral das Assembleias
de Deus do Brasil (CGADB). Existem Igrejas Batistas que são filiadas à
Convenção Batista do Brasil. Seriam estas igrejas denominações? Seria a
denominação um conjunto? Ou seria denominação, o nome da igreja? Será que nesta
altura da diversidade de pensamentos a respeito do que se convencionou chamar
Mundo Gospel, existem ainda denominações?
Mas supondo que denominação
seja a Convenção, para afirmarmos que ela denomina tal ou tal religião como
seita,teríamos que ter um documento oficial. O fato de um membro da assembleia
de Deus, ou da Igreja Batista, ou da Maranata, considerar tal ou tal religião
como seita, não implica necessariamente que esta denominação assim o considere.
Denominação segundo Houaiss:
“na
teologia ecumênica, cada uma das linhas ou igrejas que compõem o cristianismo.”
Contudo, a relação entre o
homem e Deus é algo que está relacionado a Fé, e não à Religião. A religião cabe o papel de religar o homem ao
sobrenatural.
SEITAS:
A principal motivação para
classificar um movimento como seita (do ponto de vista Cristão) é verificar se
o ensino praticado em seu âmbito e repassado aos seus adeptos está em harmonia,
em consonância com as Escrituras Sagradas do Cristão e que é comumente
conhecida por Bíblia Sagrada. A identificação de uma Seita leva em conta sua sustentação e divulgação a respeito de
doutrinas contidas na Bíblia, entre elas: A Trindade; A Criação do Homem e do
mundo; O pecado e seu papel na queda do homem; a própria Bíblia; Cristo em sua
pessoa e obra; a salvação e o porvir.
Se verificarmos dissonâncias
entre a Bíblia e o ensinamento do movimento/igreja sobre estes assuntos, haverá
a classificação de seita
Por exemplo, há determinados
movimentos ou fraternidades que colocam os livros de seus líderes em pé de
igualdade ou até mesmo superiores à Bíblia Sagrada. Outros vêem Cristo como um
Avatar, um iluminado, ou um homem esclarecido. Com relação ao pecado são
tolerantes. Há aqueles que consideram Deus um Ser Impessoal.
A Doutrina Neomodernista, a
guisa de exemplo, considera a infalibilidade da Bíblia, algo fantasioso e não é
inspirada por Deus. Ora, mesmo que uma Igreja que se denomina Cristã, e adota princípios
contrários aos princípios bíblicos, não queira ser chamada de seita, ela o
será.
Como dissemos acima, o fato
de algum membro ou igreja, chamar tal ou tal religião de seita, não implica
necessariamente que ela é uma seita. Mas mesmo o fato de negar que seja uma
seita, e ainda assim nela se verificar práticas anti-cristãs, anti-biblicas,
ela será uma seita.
CONCLUSÃO:
Não é o fato de ser chamada
Seita que fará da religião uma Seita. Mas as heresias que se encontram em seu
seio é que fará dela uma seita.
E isto pode acontecer com
qualquer religião Cristã. A ausência de Escolas Bíblicas Dominicais destinadas
ao estudo da Bíblia. A ausência de Cultos destinados ao estudo da doutrina. A
presença das danças, dos movimentos de reteté, está dando ao culto um teor
emocional muito grande. Precisamos lembrar que o Culto que Deus deseja é o
Culto Racional.
É muito bom haver emoção e
deve havê-las, mas reduzir o culto a um pula-pula e quebra de cadeiras, é tirar
a adoração destinada a Deus e centralizá-las em outras coisas.
O resultado disto são
crentes raquíticos. Crentes frágeis. Crentes famintos. Ora, crentes sem
doutrina sã e bíblica, são levados em roda por falsos mestres. Por ventos
doutrinários. Ventos doutrinários são um perigo que ronda o rebanho, e cabe a
cada Pastor fortalecer seu rebanho através da pregação do Evangelho. A pregação
deve ser Cristocêntrica. Igrejas que são governadas por Pastor empresário pode
até dar certo do ponto de vista do mercado, mas é um fracasso do ponto de vista
celestial.
Bibliografia:
Abbagnano, N. (2000). Dicionário
de Filosofia (4ª edição ed., Vol. Único). (A. Bosi, Trad.) São Paulo,
Brasil: Martins Fontes.
Bíblia de Estudo
Aplicação Pessoal. (2003). São Paulo.
Lalande, A. (1999). Vocabulário
Técnico e Crítico da Filosofia (3ª ed ed.). São Paulo, SP, Brasil: Martins
Fontes.
Oliveira., R. F.
(2009). Heresiologia I. Campinas/SP: Escola de Educação Teológica das
Assembleias de Deus.
LEIA TAMBÉM: 9 Razões porque surgem as seitas.
[1]
Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG.
Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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